Os fabricantes de veículos estão investindo para aumentar o uso do gás natural na produção, em substituição à energia elétrica, óleo e GLP. O combustível, introduzido recentemente, já detém uma participação de aproximadamente 15% no consumo energético das principais montadoras.
A Ford, que aplicou US$ 1,2 milhão para instalar uma linha de gás natural em sua fábrica de motores em Taubaté, no Vale do Paraíba (SP), e substituir parte da energia elétrica consumida na unidade de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, vai desembolsar mais US$ 1 milhão para ampliar o uso do gás em suas unidades até 2002.
A fábrica da Volkswagen de Taubaté, que produz 950 unidades por dia dos modelos Gol e Parati, conseguiu uma redução de 10% no consumo mensal de energia elétrica depois de ter adotado o gás natural em parte de suas operações, em março de 2000. O combustível é utilizado no setor de pintura de peças, como fonte de alimentação dos aquecedores, antes movidos por energia elétrica.
De acordo com o gerente de Manufatura e Engenharia Industrial da unidade, Marcelo Perpétuo, a economia decorrente da substituição é equivalente a 896 mil kWh por mês para um consumo médio mensal de 9 milhões de kWh. ‘‘A redução é muito representativa e equivale à energia consumida em um mês por uma cidade de 18 mil habitantes’’, observou Perpétuo, um dos responsáveis pela implantação do gás natural na fábrica.
Ele informou, entretanto, que a substituição da energia elétrica pelo gás atingiu o limite de sua capacidade na fábrica. ‘‘Utilizamos o gás onde é possível utilizar’’, afirmou.
No ano passado, a unidade promoveu, em parceria com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), um programa de conscientização dos funcionários para incentivar o uso racional da energia na fábrica e nas residências dos trabalhadores.
A unidade, que opera em três turnos, é a maior montadora no Estado de São Paulo, só ficando atrás no ranking nacional para a Fiat, em Betim (MG). A montadora italiana já tem o gás como fonte de 18% da energia necessária para produção de automóveis na cidade mineira.
Com o aumento da utilização do gás nas montadoras, a Comgás ampliou sua expectativa de fornecimento do produto para o setor este ano, de 41 milhões de metros cúbicos para 44 milhões de metros cúbicos. O volume equivale a um crescimento de 42% em relação ao total fornecido pela empresa em 2000, de 31 milhões de metros cúbicos.
O gerente de vendas da Comgás para São Paulo, Baixada Santista e Vale do Paraíba, José Rodrigues Pereira Neto, informou que a companhia prevê a venda de 49 milhões de metros cúbicos para as montadoras da região em 2002. Segundo ele, todas as fabricantes de veículos – Volkswagen, General Motors, Ford, Honda, Toyota, DaimlerChrysler, Scania – do Estado utilizam o gás natural na produção.

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