Indústria aprova mais álcool na gasolina
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaFora do governoDornelles deixou ontem o Ministério da Indústria e ComércioO MICT (Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo) já conta com parecer favorável das montadoras para o aumento da proporção do álcool anidro misturado à gasolina de 22% para 24%. Esse é o aval necessário para que o Cima (Conselho Ministerial do Açúcar e do Álcool) aprove a nova proporção em sua próxima reunião, cuja data não foi marcada.
Em relatório técnico enviado ao MICT nesta semana, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) afirma que não haverá prejuízo para os automóveis se for adicionado até 25% de álcool anidro. Essa foi uma das idéias relacionadas com a reativação do Proálcool defendidas pelo ex-ministro Francisco Dornelles, que voltou a ser deputado federal pelo PPB.
Outra proposta que será decidida pelo Cima é o estímulo à substituição da frota de veículos oficiais e dos automóveis particulares velhos por modelos novos e movidos a álcool. Esta última medida, entretanto, dependeria da isenção ou redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que é federal, e do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
Dornelles deixou o ministério ontem. Seu sucessor, o embaixador José Botafogo Gonçalves (também do PPB), afirmou que dará continuidade aos projetos do MICT que estão em andamento. A reativação do Proálcool é considerada uma das prioridades do governo para evitar desemprego em regiões produtoras de cana-de-açúcar e álcool, principalmente São Paulo e Estados do Nordeste.
Atualmente, essas atividades respondem por 5 milhões de empregos diretos e indiretos. Em seu discurso de posse, o ministro Botafogo afirmou, em tom de brincadeira, que assumirá seus erros sozinho. Ele foi indicado por Dornelles e por seu último chefe, o ministro Luiz Felipe Lampreia (Relações Exteriores).
O novo ministro prometeu dar ênfase ao desafio do governo de atingir a meta de US$ 100 bilhões de exportações até 2002 e de colocar em prática os instrumentos para aumentar os embarques. O aumento das exportações não exige inspiração. Exige concentração e transpiração, disse ele, depois da cerimônia de posse. Ele ainda afirmou que a consolidação da abertura comercial deverá ser feita com prudência, de maneira gradual e de forma equilibrada e em ritmo compatível com os interesses dos empresários, trabalhadores e dos consumidores brasileiros.
A orientação é a mesma que Botafogo seguiu enquanto esteve em seu último posto, a chefia da área econômica do Itamaraty. Nessa função, ele liderou a equipe de negociadores brasileiros na Alca (Área de Livre Comércio das Américas), Mercosul e OMC (Organização Mundial do Comércio). Na próxima terça-feira, o diretor-geral do Departamento Econômico do Itamaraty, embaixador José Alfredo Graça Lima, assumirá o antigo cargo de Botafogo.
O novo ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT) disse ontem que enfrentará com tranqulidade o problema do déficit na balança comercial e afirmou também que não é o momento para qualquer mudança na política cambial do governo.
Segundo estimativas das mesas de câmbio de grandes bancos, o déficit da balança comercial do mês passado teria ficado em US$ 818 milhões. Assessores do MICT informaram ontem que o resultado da balança comercial de março deverá ser divulgado hoje. De acordo com estes números extra-oficiais, as exportações somaram US$ 4,273 bilhões, ante US$ 5,091 bilhões de importações no mês passado.
Este resultado ainda será revisado pelo governo e o déficit final do mês deve ser inferior a US$ 800 milhões, segundo esses operadores de câmbio. A balança frustrou as expectativas iniciais do mercado, que chegou a apostar num resultado mais próximo ao equilíbrio, com déficit em torno de US$ 200 milhões. No entanto, as expectativas são de melhora a partir de abril, em virtude sobretudo da esperada aceleração das exportações agrícolas.


