Indústria aposta em inovação para 2010
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de registrar um dos melhores resultados da atividade industrial em 2008, e passar por quedas em 2009 - em consequência da crise financeira mundial -, o empresário paranaense termina o ano com expectativas otimistas para 2010. Pesquisa feita pela Federação da Indústria do Paraná (Fiep), mostra que 87,78% dos empresários está confiante em bons resultados para seus negócios no próximo ano. O nível de otimismo é o segundo mais alto em 14 anos da história da Sondagem Industrial da Fiep, perdendo apenas para o levantamento feito em novembro de 2007, quando 87,87% dos industriais apostavam que 2008 seria seu melhor ano, fato confirmado posteriormente.
Além de já sentir sinais de recuperação da economia, dois grandes eventos marcados para 2010 contribuem para aumentar as expectativas. ''A estimativa é que a indústria tenha bom desempenho nas vendas também por fatores como a Copa do Mundo e por ser um ano eleitoral, quando não há tantas restrições de políticas públicas que venham frear as atividades econômicas'', avalia o economista Maurílio Leopoldo Schmitt, coordenador do Departamento Econômico da Fiep.
As apostas para o novo ano mostram, também, a recuperação do otimismo do empresariado, em comparação com o resultado da pesquisa realizada um ano antes. Em novembro de 2008, já sob presão da crise econômica, a sondagem mostrou que apenas 62,17% esperavam resultados positivos para 2009. Foi o segundo pior nível de expectativa da série histórica. O temor se confirmou. Até outubro, as vendas industriais paranaenses apresentavam queda de 7,37% em relação ao mesmo período de 2008. O baixo desempenho, segundo a Fiep, além da crise econômica teve a contribuição da sobrevalorização do câmbio, que prejudica as exportações.
Segundo a Sondagem Industrial 2010, a estratégia de maior importância a ser adotada pelas indústrias em 2010 é a ''satisfação do cliente'', apontada como prioritária por 56,14% dos entrevistados. Em segundo lugar foi apontado o ''desenvolvimento de negócios''. Em sintonia com as principais estratégias, os investimentos das empresas para o próximo ano serão direcionados principalmente para aumentar a ''Produtividade'' (54,45%), para obter ''modernização tecnológica'' (49,36%) e ''Melhoria de processo'' (45,34%).
O presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, chamou a atenção para o fato de o País passar por um momento de crescimento econômico, mas ao mesmo tempo ter decréscimo no desempenho industrial. ''Um exemplo é a indústria automobilística, que cresce em exportações, mas cresce muito mais a importação de componentes eletrônicos para os veículos'', diz. Dados do Banco Mundial, segundo ele, mostram que o participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) nacional caiu de 45% nos anos 80 para 23% entre 2001 e 2005. No mesmo período praticamente também não houve ganho no PIB per capita.
''É um quadro muito grave. Só há um caminho. A única maneira é fazer da inovação a grande estratégia, somada à gestão, melhorando a infraestrutura e a qualificação da mão de obra, e à criação de um ambiente propício para investimentos'', disse. Para Rocha Loures, o industrial deve estar preparado para aproveitar o momento de crescimento econômico pelo qual o País deve passar nos próximos anos. ''Vamos ter pela frente um bom crescimento econômico de 5 a 6%. É preciso aproveitar o empuxo, para promover mudanças de atitude, mudanças de meta de gestão e de políticas públicas que capacitem o Brasil para que venha a se converter em uma economia moderna'', finalizou.


