Arquivo FolhaAgroindústriaEsmagadoras de soja retomaram a atividade mais cedo este ano O mercado começa a prestar atenção no óleo de soja que, no último ano, teve seu preço elevado em mais de 50%. As principais esmagadoras do País estão voltando ao trabalho antecipadamente para tentar se beneficiar desta alta. A alta nos preços no mercado internacional deve-se aos estoques limitados existentes do produto neste momento. Segundo a Associação dos Processadores de Oleaginosas (Nopa), os estoques de óleo dos EUA em dezembro eram de 1,323 bilhão de libras, um pouco acima dos 1,216 bilhão verificados em novembro mas bem inferior aos 1,715 bilhão de libras verificadas em dezembro de 1996.
No mercado interno, os estoques também estão menores, refletindo o forte aumento das exportações de soja em grão registrado em 1997, ano atípico em que se viu um deslocamento do grão - que normalmente seria esmagado e transformado em farelo ou óleo - para a exportação. Com isso, os preços do óleo no mercado interno também estão subindo. Segundo a Abiove, no complexo soja, 45% do valor total das exportações referiram-se ao grão e apenas 55% foram de farelo e óleo em 1997. Tradicionalmente, a soja responde por 23% do valor das exportações do complexo e o farelo e o óleo por 77%. Neste processo, as esmagadoras reduziram suas operações em 5% durante 1997, com o alto preço da soja em grão impulsionando a exportação da matéria-prima bruta. Isto fez com que as exportações brasileiras de óleo caíssem para 1,080 milhão de toneladas em 1997. Fábio Trigueirinho, secretário executivo da Abiove, acredita que, este ano, as exportações voltarão aos seus patamares históricos, de 1,320 milhão de toneladas.
As exportações brasileiras de grão de soja em 1997 fez com que os estoques de farelo e óleo caíssem no País. Hoje, os estoques de óleo são menores que os de farelo, o que está ajudando a sustentar os preços. A procura por óleo também está maior e a expectativa é de que aumente no curto prazo. Isto porque a Indonésia suspendeu as exportações de óleo de palma e analistas estimam que as recentes queimadas registradas na região irão provocar uma quebra de até 10% na safra atual. Com esta redução na demanda, o óleo de soja brasileiro pode ser uma alternativa para suprir esta falta.
Este sentimento está levando algumas multinacionais brasileiras a intensificarem suas visitas à Ásia, tentando conseguir ocupar este espaço com o óleo brasileiro. Traders informam que a Cargill é uma das empresas que possuem várias viagens marcadas com este objetivo. O fato de a Argentina também estar se movimentando para tentar colocar seu produto no mercado internacional está agilizando a movimentação das empresas brasileiras.
Fábio Trigueirinho, secretário da Abiove, disse que não acredita que a crise asiática afete as exportações brasileiras do complexo soja. Segundo ele, os maiores compradores de grãos e subprodutos do Brasil na Ásia são a China e o Japão, que estão em uma situação mais cômoda na crise. A China importa cerca de 2 milhões de toneladas de óleo/ano. Na sexta-feira, a China reduziu sua tarifa de importação de óleo de 20% para 13%. Segundo relatório do USDA, apesar da redução da tarifa, as quotas de importação para o óleo permanecem muito menores do que os grandes refinadores exigem para suas operações, o que estimula o contrabando.
De acordo com o USDA, estimativas mostram que o contrabando de óleo de soja ficou entre 800 mil e 2 milhões de toneladas em 97, o que dificulta saber qual o quadro real da oferta e da demanda. Já o Japão não importa óleo de soja devido aos altos impostos, mas é um grande importador de grão. ‘‘A expectativa é de que o Japão, com a crise, corte a importação de supérfluos e não de alimentos, como a soja’’, disse Trigueirinho.

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