Brasília - A recuperação da atividade industrial no País, iniciada no fim de 2003, continuou mostrando fôlego no primeiro trimestre deste ano. É o que revelam os indicadores industriais de março, divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os principais itens, como vendas, capacidade instalada, pessoal empregado e salários pagos, apresentaram crescimento em março. Os bons resultados, porém, foram sustentados principalmente pelo crescimento das exportações. ''O consumo no mercado interno está reagindo, mas bem mais lentamente que a taxa de crescimento das vendas para o mercado externo'', destacou o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Renato da Fonseca.
Com informações obtidas em 12 Estados com cerca de 3 mil grandes e médios empresários, a pesquisa da CNI destacou um crescimento de 3,45% das vendas em março, na comparação com fevereiro, o que colocou o volume comercializado como o maior desde 1992. Com isso, no primeiro trimestre as vendas apresentaram elevação de 5,09% ante o quarto trimestre de 2003. Foi o terceiro trimestre consecutivo de ampliação das vendas. O economista da CNI admitiu que também contou para esse resultado positivo o maior número de dias úteis de março em relação a fevereiro, quando ocorreu o feriado de carnaval.
O nível de utilização da capacidade instalada atingiu 81,3%, contra 80,5% em fevereiro. Na média do trimestre, o porcentual chegou a 80,8%, um número 0,7 ponto porcentual superior ao do quarto trimestre de 2003. Apesar do incremento no indicador, o levantamento mostrou que somente agora a indústria volta ao níveis verificados antes das turbulências na economia - como alta nas cotações do dólar e elevação do risco país - que marcaram o período pré-eleitoral em 2002. ''Com o estresse das eleições, houve uma queda significativa nesse item e estamos vendo agora a recuperação do tempo perdido'', afirmou Fonseca.
Para a CNI, essa melhora de indicadores pode ser atribuída ao desempenho das empresas exportadoras. Por isso, o economista da CNI ressaltou que o governo não pode perder este momento, que seria uma ''boa janela de oportunidades'' para o estímulo ao consumo interno do País, com a adoção de medidas como a redução dos juros. Segundo ele, o mercado interno responde por 60% da demanda da indústria de transformação. ''Se houver qualquer problema nas condições para exportar, perderemos nosso carro-chefe'', afirmou. Ele acredita, no entanto, na manutenção do crescimento da economia mundial, apesar da possibilidade de elevação dos juros nos Estados Unidos e desaquecimento da economia chinesa. Fonseca também minimizou os efeitos da alta recente do dólar, afirmando que essa turbulência pode ser passageira.
Em relação do mercado de trabalho, a pesquisa mostrou uma leve recuperação do emprego e também dos salários pagos pela indústria. Houve uma variação positiva de 0,53% no números de empregados em relação a fevereiro e aumento de 0,48% nos primeiros três meses do ano ante o último trimestre de 2003. Por força do maior controle da inflação, houve uma recuperação de 0,85% dos salários entre março e fevereiro. Entre o final do ano e o início de 2004, houve um incremento de 1,55% na massa salarial.

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