Produtores da região dos Campos Gerais, que vendem a produção de triticale para a indústria alimentícia, estão conseguindo preços 37,5% maiores do que os ofertados para o produto - quando o destino é a ração. As cooperativas que atuam na região conseguem vender a saca de triticale por até R$ 12,00 para a indústria alimentícia. Já quando o cereal segue para a fabricação de ração animal, o preço máximo fica em R$ 9,00 a saca.
Para o produtor, os preços conseguidos com o triticale este ano chegam a empolgar. Isto porque o custo da produção de triticale é 30% menor do que o do trigo. ''Na lavoura de trigo eu preciso aplicar fungicida cinco vezes. No triticale apenas uma'', conta o produtor Ricardo Sleutjes, que mantém uma área em Tibagi (100 km ao norte de Ponta Grossa).
Comparado com o preço obtido pelo trigo, não parece haver vantagem, já que o valor do trigo também é 30% maior do que o do triticale. Porém, o produtor está ganhando na produtividade. O triticale rende aproximadamente 20% mais do que o seu parente mais nobre.
Por ser uma mistura do trigo com o centeio, a cultura é mais resistente e exige um investimento menor. A tonelada do grão é vendida a R$ 200,00 quando o destino é o moinho e o custo de produção, considerando despesas fixas como o valor da terra, encargos sociais e maquinário, é de R$ 170,00/tonelada. Na cultura do trigo, o valor conseguido com a venda da produção empata com os custos, quando as despesas fixas estão incluídas.
Para alguns produtos como biscoitos e macarrão, o uso do triticale é considerado ideal por causa da baixa estabilidade que oferece. ''O cereal usado no pão precisa ter mais estabilidade para que o pão cresça. Já nos biscoitos e macarrão, por exemplo, quanto menor a estabilidade melhor. Por isso, o uso do triticale vem crescendo na indústria alimentícia'', diz o agrônomo da Secretaria Agricultura, Otmar Hubner. Ele acredita que a tendência é de aumento da procura da indústria alimentícia pela cultura nos próximos anos.
De olho nesse novo mercado, as cooperativas já começam a incentivar os produtores a investir no triticale. A operadora de mercado da Cooperativa Castrolanda, Luciana Souza, conta que a cooperativa vai aumentar em 20% a sua produção do cereal este ano. A intenção é vender 60% do que for produzido para a indústria alimentícia, enquanto o restante segue para a ração.
Em todo o Paraná, a área destinada ao triticale nesta safra é de 92 mil ha, com uma estimativa de produção de 200 mil t, quase o dobro do total colhido no ano passado - 116 mil t - quando a geada provocou perdas consideráveis.

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