Ao final do primeiro mês de racionamento, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Alimentícia (Abia), Edmundo Klotz, informa que o setor precisou investir para tentar driblar a crise energética. Segundo ele, a maior parte dos empresários do setor substituiu a energia elétrica pelo gás. ‘‘Uma empresa de grande porte acaba de desembolsar US$ 14,5 milhões na compra de geradores’’, adianta à Agência Estado sem revelar o nome da indústria.
Segundo Klotz, as indústrias mais prejudicadas, neste momento, são as que processam produtos que estão no período de safra, por exemplo laranja e tomate. Ele ressalta que as processadoras de laranja já se anteciparam na compra de geradores, quando a crise energética foi anunciada. Quem não dispõe de capital para investir em energia própria são obrigados a reduzir a produção.
O gerente do Departamento de Economia e Estatística da Abia, Amílcar Lacerda de Almeida, havia adiantado na semana passada que a indústria alimentícia estava revendo a projeção de crescer 4,5% neste ano. O motivo era a soma de fatores como racionamento de energia, variação cambial e alta dos juros. Mas até agora os resultados mostram um cenário otimista. O quadrimestre fechou com crescimento real de 9,8% na produção e o faturamento bruto atingiu R$ 33,7 bilhões, acréscimo de 1% sobre os primeiros quatro meses de 2000.
Em janeiro o segmento apostava numa alta de 4,5% sobre incremento de 2,5% registrado em 2000. Por causa da crise argentina, variação cambial e elevação de juros, os fabricantes foram mais moderados e refizeram para baixo os cálculos já em fevereiro para 4%. A produção, contrariou as projeções e não mostrou arrefecimento. Os pedidos em carteira continuaram engordando ao invés de minguarem. O racionamento pegou-os de surpresa e, de novo, a Abia refez contas e calcula um incremento mais achatado neste ano: 3,5%.
O quadro pessoal que vinha registrando novas contratações registrou a primeira queda no ano fechando abril negativo em 0,4%. O acumulado no quadrimestre, no entanto, encerrou com 930 mil empregados, taxa 4% superior à verificada nos primeiros quatro meses de 2000.
A Nestlé, líder na fabricação de alimentos, é um exemplo de empresa que não reduziu a produção de alimentos por conta do racionamento de energia elétrica. A empresa tomou algumas precauções considerando as especificidades das 20 fábricas, espalhadas em todo o Brasil. Entre as medidas, destacam-se a aquisição de geradores de energia e aproveitamento da parada de máquinas nas fábricas durante os intervalos do fornecimento de energia, para serviços de manutenção e limpeza, antes feitos em horários de produção. A empresa não divulga o montante investido em geradores.

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