Indústria alimentícia deve crescer 4% no ano
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quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Mariana Fabre <br>Reportagem Local 
Campinas (SP) - Mesmo diante da crise financeira global, a produção da indústria alimentícia brasileira deve crescer 4% este ano, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos (Abia). A previsão incial de 5% foi reduzida em função da retração nos mercados internacionais, mas ainda representa avanço para o setor. Em relação ao total de vendas, a estimativa é de incremento de 4,5% a 5% em 2012.
De acordo com o gerente do Departamento de Economia e Estatística da Abia, Amilcar Lacerda, o valor agregado dos produtos sofreu aumento de 1% este ano. ''Para 2013, as previsões são mais otimistas graças à elevação da produção agrícola. A perspectiva é de aumento entre 4% e 5% na produção e de 5% a 6% nas vendas'', indicou Lacerda durante palestra realizada no IV Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável, realizado em Campinas (SP). O evento foi promovido pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Devesa Agrícola (Sindag), Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) e Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev).
Apesar do impacto da crise nas projeções de negócios ser baixo, a incerterza financeira causou uma redução de 33% nos investimentos feitos pelo setor, que passaram de R$ 12,1 bilhões no primeiro semestre de 2011 para R$ 8,1 bilhões nos seis primeiros meses deste ano. Segundo Lacerda, a indústria alimentícia é o destino de 57% da produção agrícola nacional e enfrenta desafios similares aos do agronegócio brasileiro. ''Deficiência de infraestrutura, alta tributação e protecionismo econômico são fatores que podem frear a indústria alimentícia no Brasil'', avalia.
Dados da Abia mostram que a tributação alimentícia no Brasil é de 35,5%, enquanto a média global é de 7%. Lacerda espera que a unificação do PIS e Cofins, prometida pelo governo para 2013, e as parcerias público-privadas anunciadas pela presidente Dilma Rousseff ampliem as linhas férreas e rodoviárias e tenham como consequência a redução do custo dos alimentos no País. Lacerda concluiu a palestra com tom otimista, alegando que o aumento da demanda mundial por alimentos deve impulsionar a produção nacional.
* A jornalista viajou a Campinas a convite da organização do evento


