Pesquisa feita pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada ontem em Brasília, mostra que grande parte dos reajustes salariais, no período de janeiro a setembro do ano passado, ficou abaixo da inflação passada. Da amostra de 46 negociações coletivas, apenas 4 tiveram correção acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do período da data-base. A pesquisa da CNI foi publicada no último boletim ‘‘Relações do Trabalho’’, editado pela entidade.
A intenção da CNI foi traçar o perfil das negociações coletivas realizadas no setor industrial. Em contrapartida à correção modesta dos salários, algumas empresas sugeriram a distribuição de lucros e resultados. Dos contratos, 11% têm previsão de pagamento do benefício, sendo que dois apenas recomendam a adoção desse mecanismo, sem estabelecer critérios.
Quase todos os contratos tiveram cláusulas de reajuste salarial na data-base. Em alguns casos, foram adotados outros critérios de correção da remuneração, como abonos, reajustes escalonados por faixa de remuneração e reajustes com aplicação apenas para este ano.
A concessão de índice de produtividade está prevista apenas em dois dos acordos analisados. O percentual que será pago pela indústria de vestuário e calçados da Bahia e metalúrgicas do Rio Grande do Sul é de 5%. A partir de julho de 96, os trabalhadores perderam o direito ao repasse automático da inflação passada. Com isso, qualquer reivindicação salarial deve ser negociada com os empresários.
A livre negociação dos salários foi fixada pelo governo em julho de 95, quando o governo começou a desindexar (retirar as cláusulas de correção monetária) a economia. O texto proibiu a fixação de qualquer cláusula de reajuste automático nos acordos e convenções coletivos.

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