Indústria ajusta ovos à pedida do mercado
Emerson Cervi
De Curitiba
A palavra páscoa vem do hebráico Pessach, que significa passagem. Desde a antiguidade ela representa o início de tempos melhores, como a chegada da primavera no hemisfério norte. Este ano, a data é comemorada no Brasil no dia 23. Para a indústria brasileira de chocolates, no entanto, a passagem de 99 para 2000 deixa a desejar. No ano passado, as fábricas colocaram no mercado 16 mil toneladas de artigos de época (ovos e coelhos). Algumas tiveram até 10% de devoluções. Em 2000 a previsão é que sejam comercializadas 15 mil toneladas de artigos para a Páscoa, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Cacau e Balas (Abicab).
Como os produtos são repassados em consignação aos postos de venda, o prejuízo fica com as indústrias. Os índices aceitáveis de devolução giram em torno de 5%. A margem de lucro nos artigos de época, segundo diretores das indústrias, está girando em torno de 5%.
O reajuste nos preços dos ovos em 2000 é outro limitador das vendas. Ano passado, um quilo de ovo de páscoa custava em média R$ 20,00 para o consumidor final. Agora, está em R$ 22,00. Os aumentos nos custos que as indústrias estão repassando ao consumidor variam de 9% a 12%, segundo diretores da Chocolates Garoto, terceira maior fábrica de artigos de época para Páscoa no Brasil.
Alguns preços de matéria-prima subiram mais do que esses índices. Os papéis para embalagens tiveram um reajuste de 25% no período. A variação do dólar também pressionou os preços de produtos vendidos em bolsa, com cotação internacional, como é o caso dos derivados de cacau.
O aumento nos preços deve evitar que o faturamento total da Páscoa desse ano seja menor que o de 1999, apesar da queda na tonelagem produzida. As indústrias devem faturar R$ 330 milhões, contra R$ 300 milhões do ano passado. Isso porque além do aumento médio de 10% nos preços, os produtos foram adaptados às condições dos consumidores.
A alternativa para evitar os limites do mercado tem sido diminuir o tamanho dos ovos de páscoa. Menores, eles são mais acessíveis ao poder aquisitivo da classe média brasileira. A estratégia da maioria das fábricas foi produzir a mesma tonelagem de chocolates para a páscoa de 1999, mas com um número maior de unidades. Algumas indústrias chegaram a aumentar em até 30% o número de unidades colocadas no mercado em comparação com a páscoa passada. Grande parte dos ovos está entre os pesos de 300 e 500 gramas.
Apesar do freio do mercado em 2000, o Brasil ainda é o segundo maior mercado de páscoa do mundo. Nossas 15 mil toneladas de produtos só perdem para as 34 mil toneladas comercializadas no Reino Unido. Juntos, os dois países representam quase metade das 100 mil toneladas de artigos de páscoa produzidas anualmente em todo o mundo.
A Páscoa representa 8% da produção anual de chocolates no Brasil. As fábricas começaram as produções de artigos de época entre julho e outubro do ano passado. Segundo a Abicab, esse setor gera cerca de 18 mil empregos temporários no País entre expositores e vendedores durante o mês de abril.
Os supermercados transformaram-se nos grandes pontos de vendas de chocolates na Páscoa. O Extra, em Curitiba, oferece 120 itens de produtos para a data de diversas marcas, tipos e tamanhos. A campanha este ano foi antecipada na tentativa de se aumentar em até 40% as vendas sobre 99, segundo a direção.





