São Paulo Cautela e conformismo em 2003. Esperança, só para 2004. O fraco desempenho da economia neste ano, que levou o Banco Central a rebaixar sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003 para 0,6%, ante estimativa de 1,5% feita em junho, já está nas planilhas das empresas há tempos. Setores que apontam tendências, como os de embalagens, aço e alumínio, esperam que a evolução sazonal característica do último trimestre do ano apenas reduza as perdas acumuladas. A idéia geral é que o empate - um faturamento idêntico ao do ano passado - já será um bom resultado.
A Associação Brasileira de Embalagem (Abre), que reúne cerca de 200 fabricantes, já observa uma suave recuperação nos pedidos, estimulados pelas compras de final de ano. Mas isso não será motivo de festa: a previsão é de fechar o ano com retração entre 1,5% a 2% nas vendas. Até julho, o setor encolheu seu faturamento em 5,5%.
Para a Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO), entidade que agrega indústrias com clientes em áreas como alimentos, bebidas e eletroeletrônicos, as previsões são bem menos otimistas, com possibilidade de retração de 14% no volume de vendas, mesmo com o período de outubro a dezembro mais aquecido.
A Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) prefere não fazer estimativas de vendas para 2003, mas acredita que o movimento dos últimos meses do ano vai consolidar a alta de 3% na produção que tem se mantido nas últimas divulgações. As produtoras de massas, reunidas na Abima, trabalham com previsão de fechar o ano com produção entre 3,5% a 4% maior. Mas isso é sinal de crise: o setor iniciou 2003 estimando crescer até 8%, por conta do otimismo com o Programa Fome Zero.
As siderúrgicas e as produtoras de alumínio se unem nas previsões. Para a Associação Brasileira de Alumínio (Abal), na melhor das hipóteses, o mercado doméstico deve absorver em 2003 um volume 6,4% inferior ao observado em 2002. A última previsão do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) prevê um consumo de 14,9 milhões de toneladas de aço no mercado interno, marca 6% abaixo das vendas conquistadas no ano passado.
Os setores de bens de consumo também estão guardando suas fichas para 2004. Mesmo com a tendência de queda nas taxas de juros, os programas de incentivo ao crédito e a chegada do 13º salário, a Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletrônicos (Eletros) trabalha com um porcentual de perda de 4% em relação a 2002.
Nos supermercados, a Abras espera um avanço das vendas em torno de 3,5% em dezembro, o que será suficiente apenas para zerar o que já foi perdido até agora. O presidente da associação do setor, João Carlos de Oliveira, vai mais longe e só acredita em recuperação no segundo semestre do ano que vem. Nesse contexto, o segmento de shopping centers destoa com seu otimismo. O presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Luiz Fernando Pinto Veiga, é fiel à máxima de que ''o Natal de anos ruins é melhor do que o de anos bons''. Até julho, o segmento mostrava faturamento 0,91% inferior ao de 2002, mas com o movimento de final de ano, espera-se fechar 2003 com porcentual positivo de 5%.

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