Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A indústria brasileira não entrou o segundo semestre com o pé direito. Ao contrário. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a produção do setor em julho caiu 0,6% em relação a junho, acumulando no ano uma retração de 3,5%. O cenário é ainda mais preocupante quando comparados períodos mais longos. O desempenho em julho ficou 5,3% abaixo do verificado no mesmo mês de 1998.
‘‘Não se esperava uma performance tão fraca da indústria’’, confessou o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales. ‘‘Pela primeira vez este ano, a produção caiu dois meses consecutivos.’’ Sales considerou quase remota a possibilidade do setor encerrar 99 com números positivos. A perspectiva é de que produção recue em torno de 2%, repetindo o resultado do ano passado, quando fechou em queda de 2,1%.
Ele ponderou que apenas para se atingir o mesmo patamar de 98 seria preciso que a média mensal entre agosto e dezembro superasse em 4,9% a verificada entre janeiro e julho. ‘‘A média nos primeiros sete meses do ano ficou 1% abaixo da registrada no ano passado.’’
O quadro poderia ser mais negativo se não fosse o bom resultado da extrativa mineral. A boa fase do setor reflete o crescimento na produção de petróleo. O comportamento da extrativa contrasta com o resultado global da indústria e, principalmente, com a de transformação. A pesquisa mostra que a extrativa mineral apresentou uma expansão de 7,4% em julho frente ao igual período do ano passado. Já a indústria de transformação amargou uma queda de 6,5% e o resultado total foi uma queda de 5,3%, a maior do ano.
Os setores de bens de consumo duráveis e de capital lideram as perdas este ano, com retrações de 17,4% e 13,6% respectivamente. Segundo Sales, esses segmentos são mais sensíveis ao aperto monetário promovido pelo governo início do ano por conta da crise cambial.
O técnico do IBGE acredita que os índices tendem a melhorar a partir de setembro por fatores estatísticos. Os números vão partir de uma base de comparação baixa, já que foi a partir de agosto de 98 que surgiram primeiros efeitos da crise da Rússia.

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