Vânia Casado
De Curitiba
A indústria já está sinalizando que o preço de R$ 10,00 pela saca do milho é o seu limite, pelo menos por enquanto. Apesar da oferta do produto em torno desse valor em várias regiões do Estado, a concretização dos negócios está ocorrendo na faixa de R$ 9,60 a R$ 9,70 a saca, para pagamento à vista. A informação é da corretora de cereais Agroland, de Guarapuava, ao constatar que está havendo um recuo por parte das indústrias na compra de milho depois que o produto atingiu o patamar de R$ 10,00.
Em Ponta Grossa, o preço pago ao produtor já está em R$ 10,50 a saca e mesmo assim a oferta está escassa. A tendência do produtor é esperar para fixar preço e a indústria, em rejeitar o aumento de preço. Esse impasse decorre da incerteza dos volume de estoques de milho. O mercado sabe que eles estão escassos, mas as indústrias estão avaliando a suas necessidades até o final do ano. A técnica da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Rossana Catiê Godoy disse que as grandes indústrias consumidoras de milho ainda têm estoques para mais dois ou três meses. Ela acredita que a situação deve ficar mais difícil a partir do final de outubro e novembro.
Independente da disposição das indústrias, o mercado de milho continua firme. Ontem, a cotação média do Estado aumentou 1,88% em relação ao dia anterior. O Deral constatou um preço médio de R$ 8,69 a saca, contra R$ 8,52 pago no dia anterior.
Rosana lembra que em anos anteriores, o mercado estava acomodado com a possibilidade de importação de milho fácil da Argentina. Ocorre que a desvalorização cambial inviabilizou essa prática, porque o milho argentino chega aqui a R$ 14,30 a saca, valor considerado muito caro e que compromete o custo do produto final, no caso aves, suínos ou leite. Mesmo com os preços do milho, em queda no mercado externo, isso ainda não reflete no mercado interno brasileiro em função da alta do dólar, explicou.
No Paraná, a comercialização da primeira safra 98/99, que rendeu 5,85 milhões de t já está práticamente encerrada com mais de 90% vendida. A comercialização da safrinha, que deverá somar 2,8 milhões de toneladas, está bastante acelerada, com 50% comercializada até metade de setembro. Restam portanto cerca de 1,4 a 1,5 milhão de t para ser vendida, que está nas mãos dos produtores, disse Catiê.
Para agravar a escassez de oferta, o plantio da safra 99/2000 está bastante atrasado no estado. Atualmente apenas 5% da área foi plantada, enquanto o normal para o período seria de pelo menos 30%. No ano passado, no final de setembro cerca de 40% da área de plantio prevista no Paraná já estava plantada, informou o Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura do Paraná. O atraso no plantio signfica um período maior para a entressafra e certamente o prolongamento da escassez de milho no mercado, fator de sustentação dos preços, resumiu a técnica do Deral.

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