EnnyNuraheni/Reuters-AEMedo do futuroConsumidores invadem supermercados de Jacarta em busca de alimentos básicos: país no caosO mercado financeiro da Indonésia viveu ontem um dia de crash com a moeda nacional, a rupia, perdendo 26,1% do valor e as blue chips negociadas na Bolsa de Jacarta desvalorizando-se 11,95%, na maior queda num único pregão em toda a história do arquipélago do Sudeste Asiático. O clima de confusão e caos entre investidores chegou ontem a tal magnitude que o descontentamento vazou para as ruas das principais cidades do país com informações de saques a lojas, corrida aos supermercados e boatos de todos os tipos, inclusive o da fuga do presidente Suharto, há 30 anos no poder.
‘‘Estamos de prontidão para controlar qualquer onda de distúrbios e violência nas ruas’’, declarou o general Yunus Yosfiah, chefe do Departamento de Assuntos Sóciopolíticos das Forças Armadas indonésias. ‘‘Pedimos calma à população neste momento delicado da vida nacional’’, acrescentou o militar durante uma entrevista à imprensa internacional. ‘‘Acreditamos que os rumores de convulsão social, saques e até golpe militar sejam parte da ação de grupos interessados em desestabilizar o país’’, declarou o Yosfiah segundo informações da agência estatal de notícias Antara.
Em Jacarta, a previsão de que a violenta queda da rupia - que já perdeu dois terços do valor desde julho - provocará uma rápida aceleração dos preços, levou multidões de consumidores a invadir os supermercados em busca de gêneros alimentícios de primeira necessidade. Segundo relatos da imprensa local, populares disputavam pacotes de açúcar ou latas de leite em pó que, rapidamente, escassearam das prateleiras e só eram encontradas, com preços várias vezes superiores, num mercado negro que começa a florescer nas ruas centrais da populosa capital indonésia.
‘‘Claro que estou aterrorizado’’, disse Ibu Yeti, funcionário público indonésio que buscava formar seus estoques para ‘‘os tempos difíceis à frente’’. Num dos principais supermercados da capital, o Pricesmart, localizado nas proximidades da Bolsa de Valores de Jacarta, consumidores de classe média já não conseguiam mais encontrar arroz, óleo comestível, açúcar, leite, sal e diversos itens de higiene pessoal.
Bolsas O crash do mercado financeiro indonésio e as especulações de que também a Tailândia será obrigada a rececorrer à moratória da sua dívida externa - além de Jacarta e Seul como prováveis candidatas ao calote global - trouxeram ontem nova onda de pessimismo à maioria das bolsa de valores da Ásia e nova rodada de desvalorizações das moedas asiáticas. Com exceção da Bolsa de Seul, que fechou o pregão em alta de 3,55% animada pela convicção de que a comunidade financeira internacional fará o que for preciso para evitar o colapso coreano, as demais bolsas da região experimentaram nova jornada de incertezas e prejuízos.

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