Indonésia tem dia de saques, violência, protestos e morte
AFP/Kemal JufriCrise econômicaRadius Prawero, ex-ministro de Finanças da Indonésia, em conferência à imprensa ontem: dívida em negociaçãoNo mais violento dia de protestos desde o início da crise econômica na Indonésia, milhares de pessoas participaram de tumultos em pelo menos oito cidades ontem, voltando as manifestações principalmente contra comerciantes de etnia chinesa, a quem acusam de ser responsáveis pela inflação e pelo desemprego em massa. Uma pessoa morreu no maior dos distúrbios, na cidade de Losari, onde mais de 3 mil pessoas foram às ruas protestar.
As multidões arrebentaram e saquearam centenas de lojas, além de casas e carros. Três templos chineses em duas cidades foram invadidos e queimados. A polícia prendeu centenas de pessoas. Muitas famílias de origem chinesa buscaram abrigo nas delegacias de polícia ou fugiram para outras cidades.
Os moradores das cidades onde há rebelião estão pintando a palavra muçulmano nas portas de suas casas, para evitar que os revoltosos ataquem suas residências. Os chineses, que são em sua maioria de religião cristã ou budista, compõem 4% da população de 202 milhões de pessoas da Indonésia, que tem 90% de muçulmanos. O motivo da revolta é o aumento dos preços dos alimentos, de acordo com a agência oficial de notícias.
MoedasA maioria das moedas do sudeste da Ásia está em baixa, com o mercado bastante preocupado com a situação na Indonésia e a possível adoção nesse país de um sistema de câmbio fixo. Próximo do final no pregão asiático, ontem, a rúpia estava em queda, sendo negociada a 8.400,00 por dólar, de 7.350,00 por dólar do fechamento de quinta-feira.
O dólar de Hong Kong também estava em baixa, perto do final do pregão doméstico, quando trocava de mãos cotado a 7,7410 por dólar, frente a 7,7395 por dólar do fechamento de quinta-feira. O peso filipino caiu e fechou cotado a 41,032 por dólar, comparado a 39,805 por dólar do dia anterior.
O baht tailandês também estava em baixa no final do pregão na Ásia, quando era negociado a 46,15 por dólar, de 45,47 por dólar do fechamento de quinta-feira. O dólar de Cingapura recuou e era negociado no final do pregão asiático a 1,6500 por dólar, sendo que no fechamento de quinta-feira valia 1,6437 por dólar.
Três moedas asiáticas contrariaram a tendência geral. O dólar de Taiwan subiu e fechou cotado a 32,820 por dólar, de 32,855 do fechamento de anteontem. Operadores acredidam que houve intervenção no mercado por parte do Banco Central de Taiwan. O won coreano também subiu, beneficiado pelo cancelamento da greve geral convocada para ontem, e fechou cotado a 1.621,00 por dólar, diante de 1.625 por dólar do fechamento anterior.
Finalmente, o ringgit malaio estava em alta próximo ao encerramento do pregão na Ásia, quando era negociado a 3,7540 por dólar, frente a 3,7750 por dólar do fechamento de quinta-feira. Analistas disseram que os players não quiseram ontem aumentar sua exposição na rúpia devido ao elevado spread registrado pela moeda indonésia. Por isto, preferiram investir no ringgit malaio, que vem apresentando melhor liquidez.
FMIMichel Camdessus, diretor-geral do FMI, declarou ontem que o Fundo Monetário Internacional considerava que era cedo para instalar um conselho monetário (currency board) na Indonésia. Camdessus precisou, numa coletiva no Bretton Woods Comittee - um clube de discussão sobre as instituições monetárias internacionais -, que havia unanimidade de opinião entre os funcionários do FMI e advertiu que o fracasso de um conselho monetário pode ser prejudicial para a economia indonésia.





