Indonésia refuta regras do FMI
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segunda-feira, 12 de janeiro de 1998
France Presse Jacarta 
Kemal Jufri/AFPResistênciaFischer, do FMI, e Murdiono, após reunirem-se a portas fechadasA primeira rodada de entrevistas de alto nível ontem em Jacarta entre o FMI e o governo indonésio foi concluída com a declaração que o Fundo monetário internacional não ditava as reformas feitas na Indonésia. Murdiono, ministro secretário de Estado, declarou à imprensa ao final de uma primeira sessão de trabalho, com o número dois da instituição financeira internacional, que o FMI não dita a restruturação e as reformas que estão sendo realizadas na Indonésia.
Esta declaração por parte de um personagem que, com frequência, cumpre as funções de porta-voz do presidente Suharto, parece confirmar que a Indonésia prevê discutir em posição de força com o FMI, que impôs severas condições para conceder uma ajuda internacional destinada a socorrer a economia do país.
Levado diretamente do aeroporto ao ministério das Finanças para iniciar as entrevistas, Stanley Fisher, primeiro diretor executivo adjunto do FMI, declarou por sua vez aos jornalistas que as discussões eram apenas um começo. Murdiono, que no passado se mostrou hostil ao pedido de ajuda ao FMI, acrescentou que a posição de Jacarta foi posta em evidência quando foi apresentado o orçamento semana passada.
Ao anúncio do presidente Suharto sobre o orçamento, que diverge seriamente em relação aos compromissos internacionais da Indonésia, seguiu-se a queda da moeda nacional que, em 48 horas, perdeu mais de 20% do valor.
A crise indonésia invadiu o espaço político do país, de 200 milhões de habitantes. E já se fala de forma clara na possibilidade de não reeleição do presidente Suharto, de 76 anos, cujo mandato termina em março próximo.
Durante 48 horas, em meio a uma onda de boatos - desde a fuga do presidente ao exterior ao golpe de Estado militar - os indonésios esvaziaram os supermercados para estocarem alimentos e se desembaraçarem de suas rupias, cujo valor cai a olhos vistos.


