Agência Estado
BRASÍLIA - O Ministério da Saúde vai distribuir camisinhas em áreas indígenas que estão próximas a garimpos, cidades e grandes projetos mineradores e madeireiros. A medida faz parte de um plano para evitar a propagação do vírus HIV entre as comunidades indígenas. O projeto envolverá ainda a Fundação Nacional do Índio (Funai), Fundação Nacional de Saúde, organizações não-governamentais e os ministérios da Educação e do Exército. O Programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids) já começou ação emergencial no Amapá, onde foi registrado um caso de Aids numa índia proveniente do Suriname.
Segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), desde 1986 cerca de 13 índios já adquiriram o vírus HIV. O Ministério da Saúde não confirma os números, já que não faz distinção entre grupos. ‘‘Para nós não existe preto, branco, índio ou não índio’’, diz o coordenador do programa DST/Aids, Pedro Chequer. Segundo ele, alguns estudos epidemiológicos mostraram que está havendo um processo de interiorização do HIV no País, em virtude das transformações econômicas e mudanças demográficas. Com isso, as populações indígenas tornaram-se vulneráveis.
Os riscos foram notados a partir de um trabalho de campo feito entre índios do Mato Grosso, Tocantins, Pará e outras localidades do norte do País. Dos cerca de 500 índios examinados, entre 10% e 15% tinham doenças sexualmente transmissíveis. A partir de agora, com o auxílio de ONGs, Cimi e de soldados do Exército, o Programa DST/Aids vai intensificar a vigilância sobre as áreas indígenas. O trabalho será feito conjuntamente com estados e municípios.
O Ministério da Saúde quer controlar os índios que possam ser soropositivos por meio de rastreamento. Só assim poderá ter uma estimativa sobre a evolução da doença entre as comunidades. Além disso, vai adotar mecanismos de vigilância e controle, que passam pela distribuição e incentivo ao uso de preservativos. ‘‘Mas vamos primeiro estudar o lado cultural e saber se a camisinha pode ser um método viável para cada povo indígena’’, observa Chequer. ‘‘Não queremos agredir a tradição dos índios’’, completa.
O Programa DST/Aids vai criar comitês com a participação de ONGs e órgãos públicos, elaborar material instrucional bilíngue para treinamento de agentes de saúde e promover ações educativas nas 1.310 escolas indígenas espalhadas pelo Brasil, onde estão 2.500 professores e 62 mil alunos. Além disso, vai realizar estudos para tentar identificar as barreiras culturais, e orientar sobre o HIV.

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