Índios colhem milho e feijão de sementes tradicionais
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sexta-feira, 08 de junho de 2007
Rodrigo Lopes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Integrantes da tribo guarani Caruguá, de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, fizeram ontem a primeira colheita de um projeto que pretende resgatar o cultivo de sementes tradicionalmente indígenas nas aldeias paranaenses. Cerca de 30 quilos de feijão e milho foram colhidos. Parte do produto será usado para que técnicos do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), órgão vinculado à secretaria estadual da Agricultura, produzam novas sementes das espécies, recuperando parte da cultura agrícola indígena.
O projeto, financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), é desenvolvido pelo CPRA em parceria com a Embrapa Floresta e a organização não-governamental (ONG) Terra Mater. João Luiz Veiga Silva, representante da ONG, explica que as sementes que deram origem aos produtos colhidos ontem foram trazidas de aldeias guaranis de diferentes locais. ''Além de termos viajado dentro do Paraná, visitamos aldeias em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e no Paraguaia para encontrar as sementes'', conta. Antes de serem plantadas, as sementes ainda foram recuperadas geneticamente pelo CPRA.
Júlio Bitencourt Silva, coordenador de recursos naturais e produção vegetal integrada do CPRA, acrescenta que o principal objetivo do projeto é resgatar a agricultura tradicional indígena. ''A pressão da agricultura industrializada atingiu também a cultura indígena, trazendo sementes que precisam de adubo e agrotóxicos. Mas às vezes uma espécie mais adaptada à região das aldeias pode produzir mais'', diz.
Além disso, ao distribuir essas sementes recuperadas os técnicos pretendem capacitar as comunidades indíginas para que produzam seus próprios alimentos nas aldeias, com culturas agroecológicas. Para isso, ensinam a técnica de produção em mandalas, áreas circulares em que são plantadas inúmeras variedades. ''O princípio é o da biodiversidade. Plantando o máximo de culturas possíveis, tem-se um maior equilíbrio desse sistema e uma produtividade maior'', explica Bitencourt. Ontem, os integrantes da aldeia Caruguá colheram o milho e o feijão plantados em janeiro no sistema de mandala, instalada na sede do CPRA.


