Indiferença dos líderes ameaça encontro
Do Financial Times
Os líderes europeus continuam resistindo aos esforços de último minuto dos Estados Unidos para persuadi-los a se juntar ao presidente Bill Clinton na conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Seattle, na próxima semana. A iniciativa dos EUA pretende dar ímpeto político ao encontro, em meio aos sinais cada vez mais fortes de que discordâncias políticas estão colocando em risco os planos de uma nova onda de negociações globais, chamada de Rodada do Milênio.
Há um risco sério de a conferência ser incapaz de lançar uma rodada de negociações, afirmou Pascal Lamy, comissário do Comércio Exterior da União Européia. No entanto, Mike Moore, diretor-geral da OMC, disse que ainda está otimista.
Existem temas que suscitam profundos desacordos, particularmente com respeito à agricultura e às preocupações dos países em desenvolvimento sobre suas obrigações na OMC. Diplomatas dizem que os Estados Unidos sugeriram inicialmente que poderiam convidar outros líderes mundiais para a conferência. Mas, mesmo que os convites ainda não tenham sido feitos, as reações iniciais a sondagens diplomáticas discretas foram pouco animadoras.
Em Paris, um importante funcionário do governo francês classificou a iniciativa norte-americana de pura tolice e disse que seu governo e os parceiros na União Européia estavam tentando convencer Washington a desistir. Em Bruxelas, um porta-voz de Romano Prodi, presidente da Comissão Européia, disse que os Estados Unidos haviam lançado, por canais diplomáticos, a idéia de uma visita de Prodi a Seattle, o que estava totalmente fora de questão.
Tony Blair, primeiro-ministro britânico, Gerhard Schroeder, chanceler alemão, e Keizo Obuchi, primeiro-ministro do Japão, também informaram que talvez não viajem para Seattle. A lista provisória de convidados norte-americanos se basearia nos 40 governos representados em uma conferência de ministros do Comércio Exterior, em outubro. Os participantes incluíam União Européia, Japão, Austrália, Suíça, Hong Kong, Egito, Brasil e outros países.
Tradução de Paulo MigliacciAlguns temas provocam profundos desacordos, especialmente no que se refere à agricultura e obrigações junto a OMC
Arquivo FolhaPERSUASÃOClinton: esforço de último minuto para ganhar aliados europeusArquivo FolhaAUSÊNCIATony Blair, primeiro-ministro britânico, não deve participar





