Indiciados 7 donos de postos em Londrina
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segunda-feira, 06 de agosto de 2001
Telma Elorza<BR>De Londrina 
O delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Márcio Vinicius Amaro, ouvirá hoje Bruno Santaela, filho do proprietário do Posto Carajás; e o gerente do Posto Tiradentes, Gilson Laudemir Paludeto, como testemunhas de acusação contra os sete donos de postos de combustíveis indiciados por constrangimento ilegal e crime contra a ordem econômica (cartel). Ontem, o delegado indiciou cinco donos de postos. Na sexta-feira, haviam sido indiciados outros dois.
Segundo o delegado-operacional, Bruno Santaela foi intimado porque registrou boletim de ocorrência, em 10 de maio deste ano, sobre um atentado que teria sofrido ao chegar em casa, no Jardim Araxá (zona oeste). Para o delegado, o atentado pode ter ligação com a situação vivida hoje em Londrina, que tem os preços mais altos do Sul do País. Esperamos que o Bruno possa nos esclarecer alguns pontos, afirmou. A casa de Santaela e três carros que estavam na garagem foram alvejados por tiros de revólver calibre 38 e espingarda calibre 12 na madrugada daquele dia. O posteiro Emílio Santaella declarou à imprensa, na ocasião, que o atentado expõe a guerra de preços de gasolina instalada na cidade. O Posto Carajás, na época, praticava preços inferiores aos da concorrência.
Quanto ao gerente do Posto Tiradentes, Amaro disse que vai dar mais uma oportunidade para que ele se retrate do depoimento anterior antes de indiciá-lo por falso testemunho. Segundo o delegado, Paludeto disse que não houve nenhuma tentativa de coação ou intimidação para que o posto aumentasse seus preços. Mas ouvimos dois taxistas e o dono de um carrinho de cachorro-quente que garantem ter visto um grupo de posteiros pressionando pelo aumento de preços. Vamos ouví-lo novamente e quem sabe, agora, ele conte a verdade, disse. De acordo com o delegado, a pena para o crime de falso testemunho é de um a três anos de reclusão. Mas se fizer a retratação antes da sentença, fica livre.
Os cinco posteiros indiciados ontem, a exemplos dos dois indiciados na última sexta-feira, não prestaram depoimento ao delegado, reservando-se o direito de só falar em juízo. Os nomes e a imagem dos empresários não podem ser divulgados devido a uma petição do advogado Servio Borges da Silva, representante do grupo. O delegado Márcio Amaro disse ontem que deve encaminhar o processo ao Ministério Público (MP) até amanhã. Vou tomar estes dois últimos depoimentos e elaborar o relatório, disse.


