Índices mostram desaceleração da indústria
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de março de 2005
José Ramos<br>Agência Estado 
Brasília - A indústria seguiu dando sinais de desaceleração em janeiro, devido ao aumento da taxa de juros. Houve queda de 1,97% nas vendas e de 2,05% no número de horas trabalhadas em comparação a dezembro, segundo dados da pesquisa Indicadores Industriais, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
No entanto, o empresariado não acredita que esse processo continuará por muito tempo. Prova disso é que a indústria seguiu contratando, como vem fazendo há 13 meses consecutivos. Houve um crescimento de 0,27% no emprego em comparação com dezembro. A confiança do empresário no longo prazo permanece, disse o economista Paulo Mól, da CNI.
Os dados mostram ainda que, mesmo com a freada, o ritmo da indústria ainda é mais elevado do que o do início do ano passado. Em janeiro, a indústria utilizava 82,4% de sua capacidade instalada, um recorde para o mês. Comparando com janeiro do ano passado, houve crescimento de 7,1% no emprego industrial, 8,17% nas horas trabalhadas e 10,48% na massa salarial.
Além disso, o total de salários pagos pela indústria cresce continuamente há 22 meses. Isso é algo inédito na série histórica dos indicadores da CNI, que começaram em 1992, afirmou Mól. Desde abril de 2003, o volume de salários pagos pela indústria cresceu 17%. Isso, na avaliação de Mól e do economista Renato Fonseca, também da CNI, tem ajudado a retomada do consumo e a reativação da economia como um todo.
A CNI alertou, porém, que todos esses indicadores positivos correm risco diante do processo de elevação sucessiva da taxa de juros. Os economistas avaliam que o aperto monetário já começa a mostrar seus efeitos. As vendas industriais, por exemplo, cresceram 3,13% em relação a janeiro de 2004. Mas o ritmo de crescimento encolheu, disse Fonseca.
Em novembro do ano passado, o crescimento em relação ao mesmo mês do ano anterior estava em 10,78%, e em dezembro a margem já havia se reduzido para 7,77%. E na comparação entre janeiro deste ano com dezembro de 2004, houve queda de 1,97%, já descontando-se os efeitos sazonais.
Parte da queda de vendas das indústrias é explicada por uma remuneração menor nas vendas externas. Com o real valorizado, muitos exportadores acabam recebendo menos reais por suas vendas ao mercado externo do que o registrado no início do ano passado.
Em relação ao mercado interno, Fonseca disse que o desempenho futuro dependerá do ritmo do ajuste monetário pelo Banco Central. Ele lembrou que as vendas no mercado interno representam 60% do mercado da indústria. Se esse segmento for afetado por uma política de juros mais dura, prejudicará também as indústrias.
A utilização da capacidade instalada da indústria não parece ter sido afetada por esses fatores. Desde 1992 ela nunca esteve tão alta no início do ano, segundo a CNI. O índice dessazonalizado da ocupação ficou em 82,4%, contra 82,9% em dezembro e 80,8% de janeiro de 2004. Os números sinalizam um bom mercado para os fornecedores de máquinas e equipamentos, que deverão ter prioridade neste ano, segundo a CNI. É condição necessária para garantir a continuidade desse robusto crescimento industrial, afirma o relatório da entidade.


