São Paulo - O mercado financeiro doméstico pode dar continuidade nesta semana ao otimismo que permeou os negócios nos últimos dias, embalado pela ampla vitória do governo Lula no primeiro grande teste de votação no Congresso.
Além de acompanhar os lances da ação militar anglo-americana contra Saddam Hussein, o mercado estará com a atenção dirigida principalmente aos indicadores de comportamento de preços que serão divulgados ao longo da semana. Amanhã, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) vai divulgar a primeira prévia da inflação de abril pelo IGP-M; na quarta-feira, a FGV anuncia a inflação de março pelo IGP-DI; na quinta, será conhecida a inflação, também de março, pelo IPCA e INPC, ambos calculados pelo IBGE.
A expectativa com essa fornada de inflação é grande porque antecede a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 22 e 23, que vai definir o rumo da taxa básica de juros. ''Os investidores estarão olhando a tendência da inflação porque ela pode definir a trajetória dos juros no próximo Copom'', comenta o economista da Unibanco Asset Management (UAM), Rogério Mori.
De fato, a expectativa é grande e passou por uma reviravolta desde a última reunião de março, quando a adoção do viés (tendência) de alta pelo Copom, na véspera do ataque ao Iraque, acentuou o pessimismo nos mercados. Mas a preocupação com o possível uso desse viés deu lugar, nos últimos dias, à previsão de que o juro pode passar por cortes ainda neste trimestre. A persistente baixa do dólar, anteriormente uma das principais fontes de pressão sobre a inflação, e o IPC de 0,67% apurado pela Fipe em março, bastante inferior ao de 1,61% em fevereiro, reforçaram a aposta em possível redução dos juros.
Esse sentimento está cristalizado no mercado futuro de juros, onde as taxas embutidas nos contratos para vencimento nos próximos meses estão abaixo do juro básico corrente de 26,50% ao ano. A taxa projetada pelo contrato DI de maio, que reflete a possível decisão do Copom, carregava juro de 26,25% ao ano na sexta-feira; pelo de junho, juro de 26,11%; e pelo de julho, 25,92%.

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