Índice próximo do topo da meta
As projeções dos economistas consultados pela FOLHA apontam para um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao final deste ano muito próximo do topo da meta do governo federal, que é de 6,5%. Além da comida, que ficou mais cara para os brasileiros no mês passado, também pesou no orçamento, o grupo transportes, que subiu 1,38%, após uma queda de 0,05% em março.
O repique dos preços neste grupo foi provocado pela alta de passagens aéreas (26,49%) e do etanol (4,07%), com reflexo sobre a gasolina (0,67%). O automóvel subiu 0,78%.
O aumento do etanol é decorrência da entressafra da cana-de-açúcar e, o dos veículos, por causa da retirada gradual dos descontos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O grupo de transporte tem peso de 18,8% no IPCA e o de alimentos, de 24,5%.
Dois economistas consultados pela FOLHA, Julio Suzuki, do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), e Lucas Dezordi, da Universidade Positivo, classificaram a inflação de março como "muito preocupante". Segundo Dezordi, caso o País tivesse inflação de 0,92% ao mês, ao ano, a taxa chegaria a 11,62%. Suzuki defende que o governo vai ter que usar outros instrumentos, além do aumento dos juros, para conter a inflação, como o corte dos gastos públicos.
Já Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), diz que também ajudaria no controle do IPCA uma regulação mais firme do transporte aéreo e alternativas para produzir alimentos em regiões que não sofram tanto com a questão climática.
O aumento da inflação deve refletir em um crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em 1,8% neste ano. Isso porque o governo eleva os juros para conter a inflação, desaquecendo a economia. Suzuki lembra que ainda deve haver aumento de energia elétrica e combustíveis neste ano, o que vai funcionar como "bomba armada".
Para Dezordi, com deficit na balança comercial e inflação alta, a "economia está fora do trilho". Ele acredita que os juros podem chegar a 12,5% ao ano, o que pode acarretar queda nas vendas de bens duráveis e geração de emprego menor que em 2013. (A.B.)





