Índice mostra inflação sob controle
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terça-feira, 24 de junho de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) apresentou queda de 0,14% na Região Metropolitana de Curitiba, enquanto a média geral das 12 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou em 0,22%. Além da capital paranaense, apenas o Distrito Federal registrou variação negativa (-0,83%). Os preços para cálculo foram coletados no período de 16 de maio a 12 de junho e comparados com os vigentes de 12 de abril a 15 de maio.
Vários itens do grupo de alimentos e bebidas na Grande Curitiba registraram queda nos preços, contribuindo para a variação negativa no IPCA-15. As principais reduções foram no preço do tomate (-23,06%), frutas (-9,15%), pimentão (-6,68%), hortaliças (-6,29%), frango (-4,18%), ovos (-4,77%) e açúcar refinado (-3,45%).
Outros dois produtos que apresentaram variação negativa, como reflexo da queda do dólar, foram o óleo de soja (-3,42%) e a farinha de trigo (-3,19%). A queda neste último item, no entanto, não refletiu no preço dos subprodutos. O pão francês subiu 1,37%, segundo a pesquisa do IBGE. Entre os alimentos que apresentaram alta estão, ainda, o arroz (16,27%), pepino (12,54%), creme de leite (3,80%), queijo prato (3,40%) e leite pasteurizado (3,13%).
A queda no preço dos combustíveis também puxou o IPCA-15 para baixo em Curitiba, ainda como reflexo da redução do preço nas refinarias. O álcool registrou variação negativa de 7,40% e a gasolina de -6,57%.
O IPCA-15 se refere às famílias com rendimento monetário de um a 40 salários-mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.
Recuos sucessivos - As expectativas para o indicador divulgado ontem variavam entre 0,20% e 0,50%, segundo economistas e analistas consultados em levantamento realizado pela Agência Estado. O economista Ricardo Braule, membro do conselho consultivo do Sistema de Índice de Preços, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lembra que, na realidade, a inflação tem recuado sucessivamente. Passou de 0,85% (IPCA-15 de maio), para 0,61% (IPCA de junho) e agora para 0,22% (IPCA-15 de junho), o menor índice desde novembro de 2000.
A coleta de preços do IPCA cheio vai do dia 1º ao dia 30 do mês relativo à divulgação. Já o IPCA-15 leva em conta os preços da metade do mês anterior até metade do mês da divulgação. A taxa acumulada do IPCA-15 no segundo trimestre foi de 2,2%, abaixo dos 5,40% do primeiro trimestre deste ano.
A taxa divulgada ontem representou uma ''queda substancial'', avalia Braule. ''Uma vez que começou (a queda da taxa Selic), a discussão agora é de quanto vai ser. Que vai cair, não se tem mais dúvida'', afirmou Braule. Além disso, explica o economista, a redução das projeções de inflação futura aumenta a chamada taxa real relevante de juros (juros menos inflação projetada). Braule avalia que a inflação de junho ficará entre 0,10% e 0,20%.
Os especialistas prevêem que o indicador voltará a subir em julho, por conta do reajuste de tarifas, mas cairá a partir de agosto. O IPCA deverá acumular em 2003 perto de 10,5%, abaixo das previsões de mercado. Pesquisa do Banco Central (BC) com cerca de 80 instituições financeiras e empresas de consultoria mostra que a projeção média para a inflação ao consumidor em 2003 é de 11,59%. Para Selic em dezembro, a projeção média captada pela pesquisa do BC é de 21%. (Com AE)


