A declaração do megainvestidor George Soros de que o peso estaria sobrevalorizado e a queda do ministro do Trabalho, Erman González, fizeram o índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, cair 4,3% ontem. O volume de negociações também foi pequeno: US$ 35,6 milhões. Em média negociam-se US$ 50 milhões. O título da dívida externa, o FRB, também caiu quase 0,5%, fechando em US$ 83,5.
Para Sebastián Pruneda, operador do Bozano, Simonsen em Buenos Aires, os investidores reagiram exageradamente à queda de González. Segundo ele, González não era importante para o programa econômico. ‘‘O mercado está muito sensível. Qualquer notícia é amplificada e desencadeia movimentos exagerados’’, disse Pruneda. Luciano Rolón, analista da corretora Allaria Ledesma, afirma que os investidores estão na verdade preocupados com o descontrole do déficit fiscal, a desconfiança dos mercados internacionais no programa econômico e a dificuldade de exportação das empresas locais, com a queda do real no Brasil. ‘‘A queda do ministro aumentou a sensação de que o presidente Carlos Menem está com dificuldades para manter a governabilidade’’, disse Rolón.
Esse é o segundo ministro do governo Menem a cair em menos de 15 dias. No dia 6 de maio, a ministra da Educação se demitiu, por discordar do corte de US$ 280 milhões no orçamento da sua Pasta. O governo teve de renegociar com o FMI o déficit de 99 para rever o corte, devido a protestos. González decidiu renunciar depois que descobriram que ele ganha uma aposentadoria especial de quase US$ 8 mil (a máxima para ex-ministros é de US$ 3.233).

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