Índice do Banco Central aponta crescimento menor da economia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Eduardo Cucolo<br>Folhapress 
O indicador de atividade do Banco Central divulgado ontem sinaliza um crescimento mais fraco da economia brasileira nesse início de ano em relação aos últimos três meses de 2013. O BC informou ontem que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 0,11% em março em relação a fevereiro e cresceu 0,29% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o quarto trimestre de 2013.
O índice já foi tido como uma prévia do PIB, mas deixou de se ser considerado assim após ter descolado dos números oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O instituto divulgará o dado do primeiro trimestre no final deste mês. A previsão dos analistas é que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que será divulgado daqui duas semanas, mostre um crescimento de até 0,5%. No quarto trimestre, o avanço foi de 0,7%.
Em relação ao resultado do ano, as expectativas continuam apontando para um crescimento abaixo de 2%. Na pesquisa Focus divulgada na última segunda-feira, por exemplo, a estimativa era de 1,69%.
Para a consultoria Rosenberg Associados, o PIB deve apresentar um resultado próximo da estabilidade neste primeiro trimestre do ano. A LCA, por outro lado, estima uma alta de 0,5%. "Este primeiro trimestre pífio coloca um viés de baixa sobre as expectativas para o ano", diz a Rosenberg Associados. Pelos cálculos da consultoria, para crescer 1,8% em 2014, o PIB terá de registrar elevação média mensal de 0,4%, "o que não parece tarefa fácil, diante dos desafios que se colocam em termos de mercado de trabalho, crédito e confiança."
O economista Rafael Bacciotti, da consultoria Tendências, trabalha com um PIB de 0,2% no primeiro trimestre e de 1,9%, mas afirmou que a tendência é que os números sejam revisados para baixo. Bacciotti disse que os números do BC ainda não consideram a revisão feita pelo IBGE na pesquisa industrial, que mostrou um resultado mais fraco para o primeiro trimestre de 2014. Para o Banco Fator, o dado do BC confirma uma "relevante" desaceleração da atividade econômica no primeiro trimestre e reforça a expectativa de manutenção da taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na última semana de maio.
O IBC-Br é uma das informações utilizadas pelos economistas nas suas projeções para o PIB. Os dois indicadores têm periodicidade e método de cálculos diferenciados, por isso, nem sempre apresentam os mesmos resultados.



