Índice de Preços ao Consumidor cai para 0,59% em São Paulo
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quarta-feira, 04 de agosto de 2004
Célia Froufe<br> Agência Estado 
São Paulo - O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo caiu para 0,59% em julho, conforme levantamento divulgado ontem pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP). Esse índice é menor que o apurado na terceira quadrissemana do mês (0,63%) e o verificado em todo o mês de junho (0,92%). O IPC ficou dentro do previsto pelos analistas, que apostavam numa variação entre 0,40% e 0,65%. A maior alta do período foi do item saúde, com 2,03%, acima do aumento de 1,34% da terceira prévia e do avanço de 0,83% no final de junho.
A deflação (redução de preço) no item vestuário, o menor avanço dos preços dos alimentos e a saída do forte impacto da gasolina foram os responsáveis pela desaceleração do IPC em julho, na avaliação do coordenador do índice, Paulo Picchetti. Segundo cálculos de Picchetti, a inflação do grupo vestuário está praticamente zerada no acumulado do ano até julho e, nos últimos 12 meses, teve alta de 0,74%, ante 6,29% do IPC no período.
''Se há algum risco de a inflação na capital paulista sair do controle nos próximos meses, ele virá dos preços dos produtos industrializados, a não ser que algum choque inesperado ocorra, afirmou. Na avaliação de Picchetti, é dessa possibilidade também que vem a preocupação dos diretores do Banco Central (BC), conforme demonstrado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). ''Desta vez, eles falaram claramente que estão preocupados com a pressão de demanda'', considerou. ''Está dado o contexto de recuperação e é preciso entender as pressões de oferta e demanda, que são diferentes em cada setor.''
De acordo com Picchetti, isto significa que os preços de produtos industrializados podem disparar. O coordenador disse ainda que, até o momento, a recuperação da demanda ainda é incipiente, em relação às pressões inflacionárias, porque estaria concentrada em segmentos que dependem de crédito. Ele citou, como exemplo, a alta de preços de bens de consumo duráveis, que estaria ocorrendo de forma controlada.
Segundo avaliação do coordenador da Fipe, o IPC deve encerrar agosto com alta de 0,80%. Se essa projeção for confirmada, essa taxa será 0,21 ponto porcentual maior que a inflação de julho (0,59%).
Saúde - O reajuste dos contratos de assistência médica foi o principal responsável pela alta de 0,59% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apurado pela Fipe em julho . Só o aumento deste item, de 4,49%, elevou o índice em 0,14 ponto porcentual. O coordenador do IPC, Paulo Picchetti, acredita que esse reajuste ainda pode pressionar a inflação de agosto em 0,10 ponto.
O item com a segunda maior influência no IPC-Fipe em julho foi o de viagem-excursão, com alta de 9,52%; em seguida vem a tarifa de energia elétrica, gasolina, açúcar, batata e álcool combustível.


