índice de perda na produção da soja é de 0,54 sc/ha em Cambé
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sexta-feira, 01 de junho de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
Os produtores Damião Basseto, Gildo Bueno de Lima e Natal Marques de Jesus foram os ganhadores do 19º Concurso Municipal em Produtividade da Soja realizado ontem em Cambé. O evento, promovido pelo Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), tem o objetivo de incentivar os produtores da região a reduzirem seus índices de perdas na colheita. A iniciativa, de acordo com Alcides Bodnar, engenheiro agrônomo do Emater, começou em 1991, devido aos altos índices de perdas que a região atingia naquele período, que era de 2,4 sacas por hectare, maior volume registrado no Estado.
Hoje, com os sucessivos trabalhos de extensão rural, o volume de perdas na região de Cambé nesta safra caiu para 0,52 sc/ha, em média, melhor índice registrado no Paraná. Basseto, que ficou em primeiro lugar, registrou um volume de perda de apenas 0,05 sc/ha, a uma média de produtividade de 3,33 quilos por hectare. O segundo e o terceiro colocados, Lima e Jesus, tiveram índices de desperdício de respectivamente 0,09 sc/ha e 0,11 sc/ha. ''Só para se ter uma ideia da nossa evolução, os índices de perdas em todo o Paraná gira em torno de 1 sc/ha'', completa Bodnar.
Uma das bases para a obtenção do balanço de produtividade se deu pela análise do copo medidor desenvolvido pela Embrapa Soja e pela avaliação das colheitadeiras dos participantes. Nesta edição, por exemplo, foram avaliadas 140 máquinas. Bodnar explica que um dos principais fatores que levam às perdas na colheita da soja são as máquinas malreguladas, o que não foi o caso das que participaram do concurso. Segundo ele, 80% dos prejuízos ocasionados pelas colheitadeiras estão relacionados à barra de corte. O agrônomo explica que navalhas mal-afiadas não conseguem debulhar as vagens, deixando-as no meio do caminho.
Bodnar, engenheiro do Emater, acrescenta que outro fator que aumenta os índices de perdas dentro da peneira são lavouras com altos índices de umidade e elevada concentração de ervas daninhas. ''Muitos produtores ficam com pressa e não esperam o momento certo para colher'', destaca. Além disso, o especialista acrescenta que antes da colheita, o controle de pragas também deve ser uma tarefa obrigatória.
José Miguel Silveira, pesquisador da Embrapa Soja, acrescenta que boa parte dos desperdícios também estão relacionados à velocidade excessiva dos equipamentos. ''Uma colheitadeira deve operar entre 4 e 6 km/h, dependendo das condições da máquina e da lavoura'', explica. Silveira acrescenta que muitos operadores não são treinados para a função, sendo em sua maioria jovens. ''Por esse motivo, o Emater vem ampliando o trabalho de extensão para dar conta dessa nova geração'', sublinha. Bodnar, do Emater, acrescenta que o resultado desse trabalho acontece pela união das entidades ligadas à agricultura municipal, cooperativas, entre outras empresas que fomentam a profissionalização rural.
Copo medidor
Silveira, pesquisador da Embrapa Soja, explica que não é complicado fazer o monitoramento de perdas na lavoura. ''O copo medidor é uma ferramenta rápida e precisa para medir na hora se há ou não perdas de grãos''. O especialista explica que o produtor só precisa delimitar pequenas áreas ao longo da lavoura onde irá colher amostras em cada uma. Ele destaca que a média obtida será o índice de perda da propriedade.



