O otimismo da indústria de transformação atingiu em julho níveis que não eram observados há quase uma década. O ândice de Confiança Empresarial, medido na Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) ficou em 63,4% neste mês de julho. É o melhor resultado para o mês desde julho de 1991, quando o índice ficou em 66,6%. ‘‘De um modo geral, a visão dos empresários é muito otimista’’, comenta o coordenador da sondagem, Salomão Quadros.
Outro dado que demonstra otimismo é a expectativa em relação à situação dos negócios nos próximos seis meses. Para 63% das empresas, a situação vai melhorar, enquanto 2% projetam uma piora. O saldo positivo de 61 pontos porcentuais é o mais alto desde que a pergunta foi incluída na pesquisa, em abril de 1995. ‘‘Em geral, saldos positivos consecutivos nesta pergunta indicam um crescimento da indústria no período subsequente’’, explica o economista.
A Sondagem Conjuntral da FGV consultou no mês de julho 1.623 empresas com vendas totais de R$ 186,955 bilhões em 1999 e que empregam 841,966 mil trabalhadores. O estudo considera o saldo entre o porcentual de respostas positivas e negativas para indicar a tendência da economia.
O economista observa que os empresários estão se convencendo de que o crescimento da demanda na economia é consistente e duradouro. ‘‘É observada uma trajetória crescente no nível de demanda, sem grandes picos, mas com um crescimento consistente’’, observa Quadros.
Na Sondagem Conjuntural, a expecativa em relação ao nível de demanda saiu de um saldo negativo de 11 pontos porcentuais em janeiro deste ano para um resultado positivo de 2 pontos porcentuais em abril e um saldo positivo de 7 pontos neste mês, quando 17% das empresas relataram um nível de demanda forte, enquanto 10% o consideraram fraco. ‘‘Criar um pico de demanada é muito fácil mas ele pode não se sustentar’’, explica Quadros. ‘‘Foi o que aconteceu logo depois do real’’, lembra o economista.
Para este trimestre, a expectativa dos empresários é ainda mais positiva, pois 52% da indústrias esperam um aumento da demanda, enquanto apenas 8% acreditam que haverá uma desaceleração. O saldo de 44 pontos porcentuais mostra uma progresssão em relação às expectativas do trimestre anterior, quando o saldo positivo era de 36 pontos.
O chefe do Departamento de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, diz que os números observados nos últimos meses dão base às expectativas dos empresários. De acordo com o economista, nos últimos três trimestres a indústria está registrando um crescimento gradual, mas consistente. ‘‘O pico de crescimento foi do terceiro para o quarto trimestre do ano passado’’, explica. ‘‘Depois o crescimento continuou, mas de maneira mais gradual.’’
Quadros observa que as empresas também começam a perceber que a necessidade de contratações de funcionários está se mantendo. Este mês 25% das empresas declararam acreditar em um aumento no seu quadro de funcionário,s enquanto 12% projetam demissões. O saldo positivo de 13 pontos porcentuais é o melhor desde julho de 1991. ‘‘Nos últimos trimestres, observamos que o quadro constatado ao fim do período era sistematicamente melhor do que o previsto pelos empresários antes’’, observa o economista. ‘‘Agora parece que os empresários estão se convencendo do crescimento e da necessidade de contratar.’’

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