Índice de confiança do comércio cai 3,1%
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segunda-feira, 28 de abril de 2014
Idiana Tomazelli<br>Agência Estado 
Rio - O cenário menos favorável para a venda de veículos puxou a confiança do comércio para baixo neste mês. O índice recuou 3,1% no trimestre encerrado em abril em relação a igual período do ano passado, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado foi recebido como uma confirmação adicional de que o cenário é de desaceleração da atividade em 2014.
"A economia já não está no mesmo ritmo, por fatores internos e externos. O comércio, principalmente os setores que dependem de financiamento, passa por uma fase de desaceleração até uma taxa de equilíbrio que ainda não sabemos qual é", afirmou o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo. "O mês de abril dá continuidade a essa fase", acrescentou.
Diante de uma série ainda curta, iniciada em março de 2010, a FGV ainda não divulga oficialmente dados livres de influência sazonal. Mas, segundo o superintendente, um ajuste experimental (ainda sujeito a alterações) apontou queda de 1,8% em abril ante março.
A indicação negativa é puxada principalmente pelo pessimismo em segmentos como o automobilístico e o atacado. "Este ano reservou uma maré de azar para o setor de veículos", disse Campelo, citando a alta de juros, a recomposição parcial do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a desaceleração no consumo e a crise na Argentina, que afetou exportações.
O índice de confiança entre os empresários do setor de veículos caiu 16,7% no trimestre até abril em relação a igual período do ano passado. Com isso, a confiança do varejo ampliado (que inclui o varejo tradicional, mais veículos, motos e material de construção) caiu 2,8% na mesma base de comparação.
A despeito das condições econômicas menos favoráveis, o varejo restrito melhorou entre março e abril. Os móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos (incluindo televisores) são os únicos, na parte de duráveis, a registrar percepção mais favorável. A alta da confiança é de 8,3% no trimestre até abril em relação a igual período de 2013.
"Esse segmento deu um sinal favorável com o Minha Casa Melhor. Agora, a gente percebe que a Copa mantém o setor ainda um pouco aquecido", avaliou o superintendente. Vestuário e supermercados também têm sustentado níveis mais favoráveis de confiança.
O atacado foi o outro segmento que puxou a confiança do comércio para baixo. A queda foi de 3,3% no trimestre até abril em relação a igual período de 2013.
Limitações
Fatores típicos de um mercado desaquecido são os principais listados pelos informantes como limitações à melhora dos negócios. A demanda insuficiente foi citada por 20,4% das empresas, enquanto o custo financeiro apareceu em 11,4% das respostas da sondagem de abril.
O custo da mão de obra, por sua vez considerado um indicativo de atividade em alta, também apareceu como limitação em 14,9% dos casos. "O empresário brasileiro está bem menos otimista do que no passado", observou Campelo.


