Índice de confiança da indústria cresce apesar de cautela
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
O índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) aumentou 2,9 pontos em setembro sobre agosto, quando havia sido de 54,5 pontos, segundo balanço da Confederação Nacional da Indústria (CNI). No Paraná, o cenário é um pouco mais otimista, mas, ainda assim, é de cautela diante da nebulosidade dos próximos seis meses, informa a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Apesar das medidas do governo federal, como desoneração da folha de pagamento de novos setores e redução do custo da tarifa de energia elétrica, a elevação para 57,4, um ponto maior do que no mesmo mês do ano passado, está pouco acima da média. Como o índice varia de zero a cem, a confiança ainda é mediana quando comparada, por exemplo, com os 68,5 pontos de janeiro de 2010, diz o economista Roberto Zurcher, da Fiep. ''E na época era logo depois da grande crise mundial'', diz.
O indicador está abaixo da média histórica, de 59,5. Zurcher explica que um dos motivos é que as medidas do governo passam a valer a partir de janeiro de 2013, período ainda distante para o empresário antever uma evolução e investir na produção. ''Apesar disso, as medidas sempre dão um ânimo e este índice reflete também o que se espera do primeiro trimestre do ano que vem'', conta o economista.
A empresária Luciana Bechara, proprietária da fábrica de vestuário infantil Be Little e presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Curitiba, vê o setor como apreensivo neste ano. Ela conta que, desde meados de 2011, houve queda no crescimento do setor, sem recuperação no primeiro semestre. ''Houve diminuição nas vendas de agosto e isso se reflete agora. Sinto o consumidor mais restritivo, comprando apenas o que realmente precisa'', afirma.
Luciana considera que as medidas do governo para 2013 animam, mas vê setores como o automotivo sob maior otimismo, principalmente pelos resultados diante da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Zurcher alerta ainda que há influência de questões sazonais para a maior confiança, pela proximidade das festas de fim de ano.
Paraná
Sem índices divididos por estados, o balanço mostra que a Região Sul teve uma das melhores recuperações de otimismo em setembro, ao bater em 56 pontos. O número no mês anterior era de 51,6, o menor entre as cinco regiões do País. Zurcher conta que o Paraná apresenta um otimismo maior do que os outros estados do Sul, de modo geral, porque tem recebido investimentos maiores do que outras regiões. Porém, ele lembra que questões como o endividamento dos consumidores, os estoques e a sobra da inflação deixam o clima nebuloso para os empresários em qualquer lugar.
O balanço aponta ainda que o segmento mais otimista é o farmacêutico, com 62 pontos em setembro, quando em agosto estava com 55,7. O menos é o setor de manutenção e reparação, que passou de 44,1 para 45,6 entre os dois meses. Foram consultadas 2.458 empresas, das quais 885 pequenas, 945 médias e 628 grandes. Os dados foram coletados entre 3 e 14 de setembro.



