Rio - A indústria de transformação demonstrou em julho menos confiança com o futuro da economia e com um possível aumento do consumo. A prévia do Índice de Confiança da Indústria (ICI), do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou queda de 0,3% ante recuo de 0,2% em junho. A pesquisa mostra que o Índice da Situação Atual caiu 1,1%, alcançando o menor patamar desde janeiro do ano passado. Ainda assim, há otimismo sobre o segundo semestre.
O Índice de Expectativa, que mostra uma tendência do setor para os próximos seis meses, cresceu 0,5%. A prévia da sondagem demonstra prudência no investimento por parte da indústria, receosa com um descasamento entre as projeções econômicas e a real concretização do aumento do consumo. ''Já houve dois episódios em que a demanda não aconteceu. O primeiro foi no fim do ano passado e o seguinte, no segundo trimestre deste ano. A posição, agora, é de cautela'', argumenta o economista do Ibre/FGV, Aloísio Campelo.
O economista ressalta, contudo, uma melhora na percepção do setor de bens duráveis, por conta das medidas de incentivo do governo. A pesquisa revelou ajuste no estoque de montadoras de automóveis e fornecedores, porém, não o suficiente para elevar o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), estabilizado em 83,8% em julho, idêntico à média dos últimos cinco anos.
''O setor de bens duráveis demonstra uma recuperação lenta da confiança desde junho. Há carros estocados e, por isso, ainda não foi percebido um reflexo significativo na produção. Mas é possível prever que, caso os duráveis continuem colocando o estoque na praça, a utilização da capacidade irá crescer'', afirmou o economista. Por enquanto, a melhora da confiança da categoria de bens duráveis não repercutiu em aumento da demanda do setor intermediário, fornecedor de insumo. O mesmo ocorre com a categoria de bens de capital. Em contrapartida, o setor de material de construção demonstrou recuperação da confiança, devido à intensificação de obras pelo governo, e o de não duráveis permanece sendo beneficiado pela renda dos trabalhadores.
O ajuste dos estoques deverá ser percebido de fato no segundo semestre deste ano e gerar mais otimismo, investimento e alta na ocupação da capacidade instalada, acredita o professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antônio Corrêa de Lacerda. ''Conheço poucos cancelamentos de projetos. Em geral, em uma situação de crise como esta, o que acontece é o adiamento dos projetos para fazer caixa'', aposta o economista.

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