Curitiba - O Boletim Mensal da Qualidade dos Combustíveis realizado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) apontou que no último trimestre cresceu o índice de não conformidade no Paraná para os três combustíveis pesquisados - gasolina, álcool e diesel. No ano de 2005, a não conformidade da gasolina foi de 1,7%, do diesel 4,9% e do álcool anidro de 1,7%. No último trimestre - novembro de 2005 a janeiro de 2006 - a gasolina ficou com 3%, o diesel 9,8% e o álcool 2,7%.
A pesquisa mostra ainda que, na gasolina, Londrina teve o maior índice de não conformidade (5,8%) entre os principais municípios do Estado enquanto a região oeste de Curitiba ficou com 1,2% e o leste da Capital com 1,7%. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Roberto Fregonese, disse que Londrina é o maior centro de adulteração do Estado além de ser um mercado irregular. Segundo ele, a cidade tem muitos postos e há revendedores praticando preço de R$ 2,25.
Para ele, o fato de o índice de adulteração da gasolina ter aumentado entre a média de 2005 e janeiro aponta que, quando há guerra de preços no mercado, a tendência é de aumentar a adulteração.
Outras cidades do Estado que apresentaram índice alto para a gasolina foram Cascavel (5,1%), Maringá (4%) e Umuarama (4,2%). No diesel, o índice mais alto ficou com Foz do Iguaçu (18,7%). Londrina registrou porcentual de 9,2% para o diesel, o oeste de Curitiba 7,4% e o leste da Capital 3,9%. Para o álcool hidratado, o maior índice foi o de Umuarama (6,5%).
Fregonese explicou que o alto índice de não conformidade no diesel no Estado pode estar relacionado com o fato de ter aumentado o consumo de diesel marítimo (usado em barcos) no lugar do diesel próprio para veículos. Segundo ele, por mês, 85 milhões de litros de diesel marítimo são destinados para veículos no Paraná e em Santa Catarina. O diesel normal custa R$ 1,61 na distribuidora e tem custo de R$ 1,68 a R$ 1,71 para o posto. Mas, há postos adquirindo o diesel marítimo por R$ 1,20 a R$ 1,24.
Ele comentou ainda que nas regiões Sudoeste, Norte e Norte Velho do Estado, há consumidores usando óleo vegetal no lugar do óleo diesel. Há pessoas que usam óleo vegetal misturado com 30% de diesel. O presidente da entidade salienta que em Foz do Iguaçu o índice chega a 18,7% porque a área de fronteira facilita a adulteração.
A ANP informou que cerca de 31% das amostras de diesel coletado nas pesquisas aparecem como não conformes porque há muito produto sendo vendido em local errado, ou seja, o diesel destinado para as cidades é comercializado na área rural e vice-versa.

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