Índice de cheques devolvidos aumentou este ano em Londrina
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quarta-feira, 18 de maio de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
A inadimplência de cheques no comércio de Londrina nos primeiros quatro meses desse ano, aumentou em relação ao mesmo período do ano passado, na opinião de lojistas. Em alguns estabelecimentos, o volume de cheques devolvidos por falta de fundos cresceu em 17% de janeiro a abril.
''Quando o cliente compra, ele está ok. É durante as parcelas que ele sofre algum imprevisto, perde emprego, tem algum gasto forçado ou não se programou direito. Por esses motivos é que os cheques são devolvidos. Por má-fé são poucos os casos'', explica o gerente de uma das lojas da Ortobom, no Calçadão de Londrina, Luiz Henrique Arns.
Segundo o gerente, mesmo após a inclusão do nome no Serasa a loja continua tentando negociar para receber a dívida. Em muitos casos, quando se percebe que o cliente não agiu de má-fé, mas por falta de condições a loja retira os juros, enfim tenta reparcelar. ''Temos um bom recebimento'', completa o gerente.
Pouco antes da reportagem entrar na loja Descontão, no Calçadão, o gerente Antonio Verza Filho contou que havia passado por uma situação de inadimplência e conseguiu reter a venda a tempo. ''A mulher estava com o cheque do marido e disse que ele sempre compra aqui. Quando peguei o cheque vi que a conta era recente, de fevereiro deste ano. Checamos e descobrimos que esta pessoa já havia dado 19 cheques sem fundos no comércio'', relatou o gerente.
De acordo com ele, a loja evita cheques recentes porque normalmente dão problemas. ''O índice da inadimplência aumentou muito, embora hoje façamos muitas vendas no cartão'', comentou Verza Filho. Segundo ele, assim que o cheque retorna na primeira vez, a loja liga para o cliente. Se ele não comparece num prazo determinado, reapresenta o cheque.
Ivani Borges, gerente da Bijorhca, loja de bijuterias no Centro Comercial, exibe várias folhas de cheques devolvidos, alguns datados de 1997. O mais curioso, segundo Ivani, é que nos últimos dias apareceu uma pessoa para pagar um cheque devolvido no ano de 1995. ''Ela precisa fazer um financiamento para comprar casa e precisou limpar o nome. Recebemos depois de tantos anos'', contou ela, que já não tem tanta esperança de recuperar os outros. Segundo Ivani, o índice de inadimplência chega a 10%. Sendo que este ano a situação piorou.
A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) não tem índices da inadimplência de cheques, porque esta situação é verificada somente na compensação pelo banco. Os índices são fornecidos pelo Serasa. O serviço de Protecheque da Acil indica apenas se a folha que está sendo consultada é roubada; se a conta não está encerrada ou se a alguma obstrução no CPF por causa de cheques devolvidos. A entidade oferece também o ''passagem'', um tipo de serviço que vai apontar em quantas e quais as lojas o cliente passou nos últimos dias.


