Testes feitos em amostras de gasolina coletadas pela CPI de Combustíveis em cinco postos de Londrina e um estabelecimento de Rolândia, no final do mês passado, comprovaram a suspeita de adulteração. O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) detectou um índice de 40% de álcool anidro na gasolina coletada em um dos postos da região. O percentual permitido pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) é de 24%, com variação de um ponto para cima ou para baixo.
‘‘Foram comprovadas adulterações em dois dos seis postos visitados. Mas ainda não podemos revelar os nomes dos estabelecimentos porque o laudo oficial do Tecpar não saiu’’, diz o presidente da CPI dos Combustíveis, o deputado Durval Amaral (PFL). ‘‘O Tecpar também encaminhou as amostras para um laboratório de São Paulo que está fazendo testes para descobrir se há solvente no combustível’’.
A região Norte é a mais problemática do Estado em adulteração e sonegação fiscal por causa da proximidade com o estado de São Paulo e destilarias de álcool, na opinião de Durval Amaral. Ele acredita que a atuação da CPI já tenha reduzido as irregularidades nos postos da região metropolitana de Curitiba. ‘‘Até agosto, quando será encerrada, a CPI quer eliminar a adulteração e sonegação em todo o Estado’’.
A existência de uma quadrilha de adulteração de combustíveis envolvendo indústrias químicas, postos de combustíveis e distribuidoras já foi confirmada pela CPI dos Combustíveis, instalada há cerca de um mês no Paraná. ‘‘Com ramificações em todo o Estado, os quadrilheiros agem de forma conjunta em algumas regiões’’, disse Amaral.
Em Londrina, uma quadrilha começou a ser desmantelada no mês passado, com a apreensão de 33.850 litros de solvente numa chácara na zona leste da cidade. Até a próxima quarta-feira, o Ministério Público deverá oferecer denúncia contra os quatro envolvidos na apreensão – Vagner Valério, Gisele Valério, Amadeo Valério e Carlos Roberto Kobayashi – por crime de adulteração de combustível, falsificação de documentos, sonegação fiscal e formação de quadrilha, segundo o promotor de Defesa do Consumidor em Londrina, Hélio Cardoso.
Além dos crimes de sonegação fiscal e adulteração de combustíveis, a CPI investiga a cartelização do setor e o dumping por parte de distribuidoras. ‘‘Também descobrimos que algumas companhias operam postos de combustíveis através de laranjas’’, completou Amaral.

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