Índice anula efeito Copom e juros caem
São Paulo - Os juros futuros nem tiveram tempo de reagir às sutis mudanças no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) de terça-feira, avassalados pelo Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre abaixo do esperado e das fortes revisões promovidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em resultados passados. As taxas recuaram com a realocação de apostas para a política monetária no ano que vem, em uma sessão de volume vigoroso de contratos, sob a percepção de que o texto do Copom ficou velho diante dos dados do PIB.
Os vencimentos mais curtos foram a estrela do pregão. Ao término da negociação normal da BM&F, o DI janeiro de 2011 (440.210 contratos) recuava a 10,35%, de 10,45% no fechamento e 10,46% no ajuste. O DI abril de 2010 (121.735 contratos) estava na mínima de 8,74%, de 8,80% no fechamento e 8,78% no ajuste. Liderando o giro, o DI janeiro de 2010 (456.330 contratos), primeiro a vencer após a decisão do Copom de ontem, cedia a 8,63%, de 8,655% no fechamento e 8,65% no ajuste.
O IBGE informou que a economia cresceu 1,3% no terceiro trimestre na margem, número aquém do piso das estimativas colhidas pelo AE Projeções, que iam de 1,6% a 2,9%, com mediana de 1,95%. Ante o terceiro trimestre de 2008, o PIB registrou retração de 1,2%. Nesse confronto, as expectativas iam de -0,70% a +0,90%, com mediana de -0,30%.
O IBGE realizou diversas revisões, a maioria para baixo, de resultados trimestrais do PIB. Entre elas, o PIB do segundo trimestre de 2009 registrou queda de 1,6% ante igual período de 2008, não -1,2%, como divulgado anteriormente. Houve revisão também no resultado do primeiro trimestre de 2009 ante igual período de 2008, de -1,8% para -2,1%. O instituto revisou ainda dados trimestrais ante trimestres imediatamente anteriores. O PIB do segundo trimestre de 2009, por exemplo, nessa comparação, passou de uma variação de +1,9% para +1,1% ante o primeiro trimestre. Segundo o IBGE, o uso do outlier (ponto atípico) no cálculo do resultado do PIB com ajuste sazonal levou às fortes revisões.





