Londrina é referência nacional por suas universidades e institutos de pesquisas, gera conhecimento, coloca mão-de-obra qualificada no mercado, mas ainda precisa de articulação para aplicar todas essas informações e gerar negócios. Esta foi uma das conclusões obtidas com a apresentação dos indicadores que espelham a real situação econômica e social do município, apresentados ontem, e que nortearão as ações e estudos do Fórum Desenvolve Londrina, oficializado no início da semana.
Segundo o Manual dos Indicadores de Desenvolvimento Londrina 2006, a cidade criou 10 empresas a partir de Programas de Incubadoras Tecnológicas desde 2003. O número, conforme Florindo Dalberto, presidente da Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec), é bom mas pode crescer significativamente, quando houver maior interação entre investidores e produtores de conhecimento. ''A existência de novas incubadoras poderá ser um canal interessante para isso. Além disso, a instalação do Parque Técnológico e do Cefet-PR vai alavancar esse tipo de iniciativa, já que serão fontes geradoras de conhecimentos'', pontuou Dalberto.
Por sua vez, o Fórum - que reúne 27 entidades públicas e privadas e tem por objetivo envolver a sociedade organizada e comunidade geral no desenvolvimento sustentável de Londrina nos mais variados segmentos - servirá como elo entre a oferta e a demanda, conforme o presidente da Adetec. A partir dos dados dos indicadores, os participantes do Fórum terão condições de analisar onde existe o conhecimento e de que forma poderá ser aplicado. ''Londrina pode ser muito mais pelo que dispõe - universidades e institutos - mas falta juntar as peças e utilizar esse potencial'', pontuou Dalberto.
Entre outros dados, o manual ainda indica que o número de eventos realizados em Londrina em 2005 foi de 167. O dado, segundo a gestora do Londrina Convention & Visitors Bureau, Maitê Uhlmann, poderia ser bem maior se houvesse na cidade um centro de convenções mais estruturado e um aeroporto melhor equipado. ''Tem muito evento acontecendo no Brasil e que poderia vir para Londrina, uma cidade que já tem uma boa estrutura hoteleira. '', acrescentou Maitê. Atualmente existem perto de 6 mil vagas em hotéis e o número pode chegar a 9 mil dentro de três anos. Os 167 eventos indicados são os que foram informados aos LC & VC, mas o número, conforme a gestora da entidade, passou de 400.
De acordo com Maitê, os eventos são importantes para o município, já que cada visitante gasta em média R$ 250 a cada dia, em média três, que permanece no município, e envolve uma cadeia produtiva com mais de 50 nichos de negócio. No ano passado o segmento movimentou cerca de R$ 86 milhões, somente com os visitantes. ''O Fórum será importante, pois com base nos indicadores, vai elencar projetos prioritários para ajudar no desenvolvimento da cidade'', disse ela. As questões apontadas por Maitê, por sua vez, poderão estar na lista de prioridades.
Os números sobre empregos formais indicam que 52,78% da população economicamente ativa está empregada no município. Para o gerente regional do Sebrae, Heverson Feliciano, ainda não é possível apontar se o número é bom ou ruim. ''Será preciso analisar esses indicadores, para depois pensar nas estratégias de desenvolvimento deste segmento'', afirmou. Já o número de empresas funcionando no município - 2,82% para cada 100 habitantes - é positivo, conforme Feliciano, pois no Brasil o índice fica em 2%, em média.

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