Os indicadores financeiros possibilitam ao governo acompanhar a movimentação da economia em seus diversos segmentos. Com base nas informações obtidas, governo, empresários e cidadãos conseguem planejar ações mais coerentes com o cenário econômico vigente. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que analisa os gastos das famílias com rendimentos mensais de um a seis salários mínimos, é utilizado como base para reajuste do salário mínimo. Já o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), por exemplo, consegue verificar a inflação durante do processo produtivo e, assim, estimar como ela chegará às prateleiras dos mercados.
De acordo com a professora do Isae/FGV, Virene Matesco, o Brasil é rico em índices. ''As pessoas dizem que o grande número de indicadores confunde. Mas só confundem porque elas desconhecem sua importância. Quanto melhor mensurada é a economia, melhores são as políticas de governo e as decisões das empresas'', avalia.
''Hoje as pessoas estão mais antenadas e atentas para cuidar do bolso. Para fugir da inflação, é preciso ir com mais cuidado ao mercado e comprar produtos da época ou que estiverem em promoção'', orienta o professor de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Renato Pianowski de Moraes. Segundo ele, caso o governo e a população não prestem atenção nos índices, a inflação pode voltar aos patamares registrados antes do Plano Real.
Dentre os principais índices econômicos, Virene Matesco, da Isae/FGV, salienta que os de maior destaque atualmente são: Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC), Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), Índice Geral de Preços (IGP), Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e Deflator Implícito do PIB (Produto Interno Bruto).
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) registra as variações de preços de produtos agropecuários e industriais nas transações interempresariais, durante as etapas de comercialização anteriores ao consumo final. Dessa forma, o IPA consegue acompanhar a inflação dentro do processo produtivo. ''Se os valores do IPA estão crescendo, é possível afirmar que esse aumento vai chegar nas prateleiras em breve'', esclarece Virene.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) mede a variação de preços de um conjunto de bens e serviços que compõe as despesas habituais de famílias com renda mensal entre 1 e 33 salários mínimos. ''Se os gastos aumentaram de um mês para outro, tem-se a média de quanto subiram os preços e, assim, a inflação dos bens e serviços da cesta'', explica a professora.
A cesta de produtos e serviços consumidos é elaborada com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada pelo Ibre/FGV. Os ítens que integram a amostra são classificados em sete grupos: alimentação, habitação, vestuário, saúde e cuidados pessoais, educação, leitura e recreação, transportes e despesas diversas.
Também é apurado o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) e o Índice de Preços ao Consumidor Classe 1 (IPC-C1). O primeiro mede a variação de preços de bens e serviços destinados às famílias compostas, majoritariamente, por indivíduos com mais de 60 anos de idade, enquanto o segundo mede a variação de preços da cesta de consumo de famílias com renda entre 1 e 2,5 salários mínimos mensais.
Construção
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acompanha a evolução dos custos de construções habitacionais, analisando o preço de todos os materiais de contrução. ''Se o consumidor está fazendo uma obra na sua casa, é importante acompanhar o índice para saber se os preços estão subindo muito, porque assim sua obra pode sair mais cara do que o previsto'', orienta Virene. No momento de comprar imóveis, também é importante verificar o INCC, pois os valores são reajustados pelo índice.

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