Instituições governamentais e representantes de trabalhadores e empregadores das regionais da Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego e Economia Solidária (SET) de Cianorte, Umuarama, Paranavaí, Campo Mourão e Maringá se reúnem hoje em Londrina para a 4 Conferência Macrorregional do Trabalho Decente. Na ocasião, haverá debates que servirão como subsídio para um diagnóstico regional a ser apresentado na I Conferência Estadual do Trabalho Decente Paranaense.
Palestrante do evento, o economista José Maurino de Oliveira Martins, professor do curso de Direito da Faculdade Opet, de Curitiba, vai lançar a ideia de que é possível medir o trabalho decente e fomentar debates que resultem em políticas públicas para estas questões a partir de indicadores econômicos e sociais.
O secretário estadual do Trabalho, Emprego e Economia Solidária, Luiz Cláudio Romanelli, diz que a ideia é extrair das conferências as demandas de cada região. ''Vamos ter uma série de demandas que serão identificadas para modificar a legislação tanto estadual quanto federal e que serão levadas à conferência nacional'', observa.
Na opinião do secretário, são muito presentes nas conferências as discussões relacionadas às atividades econômicas das regiões. Para o Norte do Estado, ele diz aguardar debate de questões relativas à área rural e de outros setores em crescimento na região, como o metalmecânico e de confecções.
O secretário diz ainda que um dos maiores problemas enfrentados pelo Estado quando se fala de trabalho decente é a geração de empregos melhores. ''Segundo o Caged, tivemos 13 mil novos empregos em setembro, e 137 mil em 2011. Somos o 4º em números absolutos de geração de emprego, mas somos 12º em renda média do trabalhador. Temos que combater a pobreza e superar as desigualdades.''
Por seu lado, Martins afirma que o salário médio baixo no Paraná pode ser reflexo do ''exército de reserva'', ou seja, como há grande oferta de mão de obra, os empregadores oferecem salários mais baixos. ''Em Curitiba, uma feira de empregos com oito mil vagas que não consegue preencher porque não oferece benefícios e o salário é baixo.''
De acordo o professor, uma política pública que está contribuindo para melhorar os ganhos dos trabalhadores é a do piso regional. ''Se olharmos de 2002 para cá, todos os indicadores de alguma maneira estão melhorando. De 2003 a 2009, melhoramos 53% no ganho de salário mínimo, mas existe uma defasagem histórica a ser superada'', conclui Martins.
O economista cita ainda que o rendimento no trabalho em todo o Brasil apresenta desigualdades. A remuneração média da mulher, por exemplo, chegou a apenas 70% do salário médio ganho pelo homem em 2007, segundo dados do PNAD. Esta diferença também pode ser vista quando comparamos o rendimento do homem branco e o do homem negro, continua. O homem branco ganha, em média, R$1.184, enquanto o negro recebe R$653, ainda com dados do PNAD de 2007.

Imagem ilustrativa da imagem Indicadores econômicos podem medir avanços para trabalho decente