Arquivo FolhaNível de emprego industrial caiu 0,44% no mês, mas salário cresceu

RIO - Os resultados da indústria em novembro, apurados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostraram queda em quase todos os indicadores, quando comparados a outubro: as vendas caíram 1,18% em termos reais (descontada a inflação), o nível de emprego diminuiu 0,44% e as horas trabalhadas na produção encolheram 3,05%. Somente houve crescimento (de 1,58%) na massa salarial, que é o total dos salários líquidos pagos. Descontando, porém, as razões sazonais para a queda dos indicadores - entre elas o fato de que de outubro para novembro sempre há diminuição da atividade - as vendas na indústria aumentaram 1,45% e com isso completaram o seu terceiro mês consecutivo de expansão. Permanecem negativos, entretanto, o nível de emprego (-0,36%) e as horas trabalhadas (-1,54%).
Também descontados os efeitos sazonais, a utilização da capacidade instalada da indústria ficou praticamente estável, já que em outubro era de 78,6% e em novembro ficou em 78,5%. No ano, as vendas da indústria, até novembro, cresceram 5,84%, enquanto o nível de emprego diminuiu 7,68%. As horas trabalhadas na produção caíram 9,42% e os salários líquidos reais retraíram-se em 2,20%. Segundo o chefe do Departamento Econômico da CNI, José Guilherme Reis, o nível de emprego na indústria, embora tenha apresentado redução, está caindo mais lentamente, tanto que no primeiro semestre a perda acumulada era de 9,3%. De acordo com ele e com o subchefe do Departamento Econômico, Flávio Castello Branco, em relação a novembro de 1995 as vendas reais cresceram 13,6%, os salários líquidos caíram 0,20%, o emprego diminuiu 4,44% e as horas trabalhadas na produção foram negativas em 4,48%.
Para eles, o comportamento da indústria no primeiro trimestre dependerá de como foi de fato o comportamento do comércio no final do ano: se vendeu menos do que comprou e sobrou muito estoque, o que parece estar acontecendo no segmento de televisores, por exemplo, as encomendas à indústria deverão ser mais modestas. Os dois economistas asseguram que, embora a trajetória seja a de recuperação, não existem sinais de que a economia esteja entrando em uma rota de crescimento explosivo. ‘‘Por isso, não faria nenhum sentido o governo tomar medidas para frear o nível de atividade’’, afirma Flávio Castello Branco.

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