Brasília – Indicado para presidir o Banco Central pelo governo Temer, Ilan Goldajn, 50 anos, será sabatinado pelo Senado na próxima quarta-feira (1º), o que viabilizará sua participação na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) – responsável por definir a Selic (taxa básica de juros), em junho. O senador Raimundo Lira (PMDB-PB), relator do caso na Comissão de Assuntos Econômicos, apresentará amanhã seu relatório, favorável à indicação. O colegiado votará o parecer na próxima terça, quando realiza sua sessão ordinária.
A sabatina será, então, realizada na quarta em uma sessão extraordinária, segundo informou a presidente do colegiado, Gleisi Hoffmann (PT-PR). A reunião do Copom ocorre no dia 7 de junho.
Apesar de fazer oposição ao governo do presidente interino Michel Temer e ser contra a política econômica adotada por ele, Gleisi afirmou que não pretende atrapalhar a indicação. "Não é meu objetivo complicar".
Apesar disso, a senadora criticou a escolha de Temer para o posto porque Ilan é economista-chefe do Banco Itaú. "[Sua ligação] claro que compromete. Ele não é só economista mas é também sócio do banco Itaú. Se existe quarentena na saída [de um cargo público], deveria ter na entrada também", disse. Após a sabatina, a comissão tem que aprovar a indicação de Ilan para o cargo. Uma nova votação será realizada no plenário da Casa, em que seu nome terá que ser aprovado por maioria absoluta – 41 senadores. A votação é secreta.
Na última terça-feira, o relator Lira encontrou-se com Goldfajn. Disse que foi apenas uma conversa de cortesia. "Disse que apresentarei um relatório positivo", afirmou. Goldfajn, por sua vez, não disse muito mais do que o senador. "Vim para uma visita de cortesia. Estou feliz. Espero ser sabatinado em um futuro próximo", disse.
À frente da pesquisa econômica do Itaú até então, Goldfajn volta ao BC pela segunda vez. Entre 2000 e 2003 comandou a poderosa diretoria de política econômica do banco. Sua especialidade é política monetária, mas os economistas que o conhecem dizem que seus conhecimentos contemplam também a política fiscal, "calcanhar de Aquiles" da economia neste momento.

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