Curitiba A aproximação entre o agronegócio com o econegócio pode ser a alternativa de crescimento sustentável para o Brasil, defendeu ontem a economista Amyra El Khalil, indicada ao prêmio Nobel na categoria ''Mil Mulheres pela Paz''. Amyra esteve em Curitiba participando do projeto BioBrasil, promovido pelo Instituto para o Desenvolvimento SocioAmbiental que quer levar ao grande público a discussão sobre biotecnologia.
A economista chamou a atenção para a importância do meio ambiente no agronegócio. Segundo ela, quando os demais países compram grãos e produtos acabados do Brasil, significa que eles estão comprando água, bem que está escasso nesses locais. ''Os árabes são os que mais compram frango do Brasil por causa da água que eles não têm para criar as aves''. Outro país que virou uma incógnita no mercado por causa da água é a China. ''Não se sabe o volume de água que ainda dispõem para produzir sua alimentação'', afirmou. Ela salientou a necessidade de associar a capacidade do Brasil na questão ambiental para a promoção do agronegócio.
De acordo com Amyra, mais importante discutir se o Brasil está produzindo soja transgênica, convencional ou orgânica, é preciso alertar sobre o risco da monocultura que representa um ciclo econômico e pode levar novamento o País a situações de miséria como aconteceu com os ciclos do cacau e da borracha, alertou.
Para evitar dramas sociais como aconteceram no passado, a economista defendeu a convivência harmoniosa da produção em pequena escala e do turismo de raízes com a produção em grande escala. ''Os estrangeiros querem muito conhecer como se produz e como se vive no Brasil e os brasileiros podem e devem ganhar renda com isso'', destacou.
Amyra foi a criadora da Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais, que tem como objetivo negociar a produção em pequena escala das comunidades que encontram mercados em outros países. Segundo a economista, a Bolsa promove treinamentos com assistência técnica de cientistas para que as comunidades possam ter acesso ao mercado externo.
A jornalista e especialista em biotecnologia, Ruth Helena Bellinghini, abordou o impacto da biotecnologia sobre a vida de cada um. Ela criticou o fato da polêmica sobre transgênicos se reduzir à soja geneticamente modificada da Monsanto, enquanto as pesquisas e discussão sobre biotecnologia, que poderiam trazer avanços ao País, ficam travadas.

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