Curitiba Pesquisa feita junto a 17.801 profissionais em maio deste ano pelo Grupo Catho empresa de consultoria de Recursos Humanos mostra que aumenta o número de pessoas que está conseguindo emprego em função do QI. Nesse caso, a abreviação não se trata de Quoficiente de Inteligência, mas sim de ''Quem Indica''. No total, 48% dos entrevistados afirmaram que obtiveram o emprego por essa via, índice bem superior se comparado aos dados de 2002, quando a mesma pesquisa revelou que 38,8% dos profissionais foram contratados por indicação.
Após a indicação, a Internet é a segunda mais poderosa fonte de recrutamento. A pesquisa constatou que a Internet contabilizou 11,57% das contratações em 2004 e 2005 e vem crescendo ano a ano, com a previsão de representar 20% dos recrutamentos até 2010. O anúncio de jornal continua influente: 7,17% das contratações foram feitas por anúncios classificados no jornal. Os headhunters, por sua vez, representam 7,18% das contratações e as agências de emprego 8,9%.
''Não me surpreendo com o resultado da pesquisa por vários motivos. Primeiro, porque a busca formal por trabalhadores é muito mais dispendiosa em tempo e dinheiro. Por isso, se a empresa não tem ninguém em seu quadro, é normal ela procurar entre quem trabalha no local se conhecem alguém adequado para a atividade'', diz a professora Ana Paula Cherobin, chefe do Departamento de Administração da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Ela faz questão de salientar, no entanto, que o profissional que entra em uma empresa por indicação também passa por um processo seletivo. ''Ele também vai passar pelo setor de psicologia, pelo recursos humanos, por análise de currículo, vai fazer entrevistas. A indicação não significa que ele vai queimar uma etapa da seleção interna'', afirma.
A teoria é confirmada pelo gestor de Recursos Humanos da Apolar Imóveis, Gutenberg José Raicherth. ''A maioria dos funcionários da Apolar foi contratada por indicação. Um motivo é a confiabilidade, já que ninguém vai trazer de fora uma pessoa que possa colocar seu nome em jogo. E acaba sendo muito mais fácil, acelerando o proceso'', conta. Raichert também confirma outros dados da pesquisa. ''A indicação vale mais para cargos operacionais. Para cargos mais elevados, de supervisão, gestão, há um proceso seletivo mais rigoroso, há uma busca no mercado'', diz.
Segundo a pesquisa, os cargos operacionais (salários abaixo de R$ 2 mil por mês), o efeito da indicação é visível: 55,88% das posições desse nível foram preenchidas por indicação. Para os níveis gerenciais, a indicação representa 43% das contratações. E nos cargos de presidência e diretores, a indicação cai para apenas 25,33%.
A encarregada de franquias da Apolar, Veridiane dos Santos Oliveira, é o caso mais recente de profissional contratado na empresa por indicação. ''Eu trabalhei na Apolar por seis meses há sete anos, e saí para ir a outra empresa. Acabei ficando amiga da Tania, que é gerente de locação, que acabou me indicando agora, quando precisavam de uma pessoa para cuidar das franquias'', conta. '' Antes eu supervisionava uma loja com dois funcionários. Agora cuido de dez franquias e estou abrindo mais'', fala, empolgada com o novo trabalho, que desenvolve há cerca de um mês.

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