Indexação é baixa mas ainda não desapareceu
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Agência Estado 
Rio de Janeiro- A indexação na economia hoje está muito baixa, mas não desapareceu. A análise é do integrante do conselho consultivo de índice de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e professor da PUC/RJ, Luiz Roberto Cunha. Exemplo disso, diz o economista, é o gatilho para o salário mínimo que o governo incluiu no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O salário mínimo vai ser corrigido pela variação anual da inflação mais o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB).''A redução da indexação é uma vitória, mas isso acontece porque a inflação está baixa. Não garanto que, se voltasse a subir, não ressurgiria mais forte a indexação. Somos uma sociedade habituada ao vício da indexação.''
No passado não muito distante a indexação era tamanha que até quando o preço da gasolina subia prestadores de serviços, comerciantes e empresários reajustavam preços de produtos e serviços. O quadro começou a mudar a partir do Plano Real, em 1994.
Além disso, alguns reajustes, como salários, eram mensais, o que ajudava a alimentar a própria inflação. ''Quando havia aumento do combustível espontaneamente o verdureiro da esquina pensava logo em aumentar os preços das suas mercadorias. Este era o chamado ''efeito faro'', já que sinalizava aumentos para frente, que acabavam acontecendo mesmo'', comenta Cunha.
O coordenador de análise econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, acredita que houve redução da indexação, mas também na frequência dos reajustes. ''São duas dimensões. Uma é reduzir os preços vinculados ao índice e outra, mesmo aplicando índices, fazer ajustes em períodos cada vez menores. Isso também é uma forma de tirar rigidez da inflação.''
Quadros lembra que ainda hoje alguns serviços seguem regras de indexação, como televisão a cabo, planos de saúde, aluguéis, muitas vezes ajustados pelo IGP-M. A energia elétrica, por exemplo, segue o índice de inflação geral, mais um fator de produtividade. Já a telefonia utiliza um índice especial, o IST, voltado especificamente para o setor.
''Pode não seguir exatamente o indicador. Mas qualquer reajuste de preços vinculado a um índice chama-se indexação. Não é reajustado a partir de negociação que reflita as condições de mercado daquele momento'', define Quadros.


