O debate sobre a independência ou autonomia operacional do Banco Central (BC) gerou declarações acaloradas nas últimas semanas. Porém, assim como há falta de consenso entre os candidatos, os analistas ouvidos pela FOLHA também consideraram que cada modelo tem prós e contras.
Marina Silva defende a independência do BC, com regras acordadas em lei, mandato fixo para presidente e normas para nomeações ou destituição de membros. Aécio Neves quer a autonomia operacional, com foco na estabilidade financeira e na meta para a inflação. Dilma Rousseff diz que há autonomia no atual governo e afirma que a independência levaria à criação de um quarto poder no País. Nenhum, porém, detalha o modelo que adotaria.
O professor de economia Sidnei Pereira do Nascimento, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é a favor do estado mínimo e diz que a ideia de independência, ainda que incomum no Brasil, é mais interessante. Afirma que não significaria carta branca, desde que o Congresso cumprisse a função de fiscalização. "É um modo de as decisões serem mais técnicas do que políticas, que levam à estabilidade", diz. Ele vê como mínimo o risco de o BC virar instrumento de manobra do setor bancário.
Segundo o economista Cid Cordeiro, no entanto, a ideia de independência permite que o BC decida não olhar a conjuntura do momento em troca da manutenção da meta estabelecida, o que implicaria em um custo social de curto prazo, como a perda de empregos. "Acredito na autonomia operacional, porque o BC deve dosar a política monetária olhando para como a economia está reagindo."
Para o professor de economia Adilson Volpi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o debate perdeu o foco. "Deveriam discutir a composição do Comitê de Política Monetária, em vez de falar em dar ou tirar autonomia. Se houver uma eleição para mandato e um direcionamento firme, com autonomia para cumprir as metas, se tem segurança." (F.G.)

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