Indefinições ameaçam funcionamento de usina
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terça-feira, 08 de agosto de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba A entrada em operação da Usina Termelétrica a Gás de Araucária (UEG) prevista para o início de setembro pode atrasar. Em entrevista exclusiva à Folha, o presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Rubens Ghilardi, declarou que, enquanto a usina apresentar riscos para funcionar e até que o Ministério de Minas e Energia não decida quem vai pagar a conta da despesa operacional da UEG, a termelétrica não entra em funcionamento, porque a estatal não vai assumir este ônus. A UEG custou US$ 320 milhões, cerca de R$ 700 milhões. ''É um patrimônio grande para correr risco'', afirmou Ghilardi.
Os dois principais problemas da usina são a incapacidade para enfrentar oscilações do sistema elétrico e a incompatibilidade das turbinas com o gás boliviano. Segundo explicou o presidente da Copel, a UEG ainda não está apta a suportar instabilidades comuns ao sistema elétrico. Isto significa que se ocorrer uma oscilação no sistema elétrico as máquinas podem deixar de funcionar.
Ghilardi disse que a usina precisa ser adaptada à frequência do sistema elétrico brasileiro. Ele disse que para ''entrar e sair'' com uma usina termelétrica do sistema é muito mais fácil do que para fazer uma hidrelétrica iniciar a operação. ''Se a UEG sair do sistema devido a um problema de oscilação, demoraria para colocar uma hidrelétrica no lugar da térmica, o que pode causar um black-out no País'', alertou. ''O ONS tem que dar uma garantia caso haja algum problema'', destacou.
Segundo Ghilardi, as turbinas da UEG ainda são incompatíveis com o gás natural que vem da Bolívia e precisam ser melhoradas. ''Queremos garantia da Siemens (fabricante das turbinas) de que se houver problema, o reparo será feito sem custo para a Copel'', disse.
''Para resolver este problema da incompatibilidade das turbinas com o gás boliviano, foi construída uma unidade de tratamento de gás que custou R$ 40 milhões. Segundo o presidente da Copel, esta unidade tem problemas de vazamento, o que ''poderia provocar um acidente sério''.
Ghilardi revelou ainda que a Petrobras quer garantia de quem vai pagar o gás natural da Bolívia que será utilizado. ''Se o Ministério de Minas e Energia não resolver tudo isso, a usina não entra em operação e o cronograma do ONS de colocar a UEG em operação pode atrasar'', declarou.
O presidente da Copel disse ainda que não há como flexibilizar a usina, ou seja, tornar bicombustível até setembro. Esta operação tornaria a UEG apta a funcionar com uma segunda ou até mesmo terceira fonte de energia. As opções seriam o Hbio (tipo de biodiesel), o óleo diesel e o álcool. Esse processo deve ser finalizado em 2007 e vai consumir cerca de R$ 32 milhões.
Ghilardi ressaltou que a previsão é para que a usina entrasse em operação em janeiro de 2008. ''Para entrar em operação em um mês nunca foi pensado'', destacou.


