Indefinição no Banestado agita governo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de janeiro de 1999
Carmem Murara 
A indefinição do governador Jaime Lerner (PFL) em confirmar o nome de Aldo Almeida para a presidência do Banestado instaurou ontem uma guerra pelo poder no Palácio Iguaçu e agitou o mercado financeiro. Informações passadas por assessores do governo, do Banestado e da Secretaria da Fazenda sinalizaram para uma disputa interna entre três grupos distintos. De um lado o próprio governador, que convidou o ex-ministro Reinhold Stephanes para o Banestado; de outro lado, o secretário Giovani Gionédis, que tentou emplacar o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho; e, na terceira via, o atual presidente do banco, Manoel Garcia Cid, que defende Aldo Almeida.
Arquivo FolhaPivô da criseO secretário Gionédis, sobre a indicação de Carvalhinho, aos gritos: É mentira. É mentiraNo desencontro das notícias, o dia começou com a informação de que a presidência do Banestado seria destinada ao presidente da Fiep e terminou com a especulação de que o ex-ministro da Previdência seria o indicado para o posto. Stephanes, que estava em Los Angeles (EUA), antecipou o retorno da viagem para analisar a proposta. O governo tenta alojar o ex-ministro - sem cargo no governo federal e derrotado nas eleições de outubro -, depois de tê-lo convidado para a Secretaria da Fazenda.
O pivô da crise instalada no Palácio Iguaçu teria sido o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. Segundo um dos assessores de Lerner, foi ele quem levou o nome de Carvalho para o governador, na terça-feira, evitando a indicação de Stephanes. Gionédis quer alguém de sua confiança na presidência do Banestado.
Diante da confusão e da incerteza instalada no governo, Gionédis e Carvalho passaram a negar qualquer possibilidade de não haver a indicação de Almeida para a presidência do banco. É mentira. É mentira, gritava o secretário da Fazenda, ao telefone, após acompanhar a posse do ministro de Esportes, Turismo e Juventude, Rafael Greca (PFL), em Brasília. O Carvalhinho é um nome sempre em evidência, mas eu desconheço qualquer convite para que ele vá para o Banestado, completou o secretário.
Ao lado de Gionédis, também após a posse de Greca, Carvalho se apressou em negar a indicação. Eu fui convidado para a presidência, mas antes do Neco assumir a função, afirmou o presidente da Fiep. Ele disse ainda que recusaria qualquer convite do governador por motivos familiares e por administrar diversas entidades de classe como a Fiep e o Sebrae.
Minutos antes de Carvalho negar a sua indicação para o banco, um de seus assessores confirmou que o convite teria sido feito, no início da semana. O Carvalhinho pensa até em chamar Gustavo Loyola (ex-Banco Central) para ajudá-lo, disse o assessor.
Quando o assunto parecia encerrado e já havia declarações oficiais do secretário da Fazenda, dizendo que tudo era boato, o próprio governador abriu espaço para especulações. Ao ser questionado por jornalistas, em Brasília, sobre a troca de nomes no Banestado, Lerner declarou: Estou vendo. Vou definir nos próximos dias. O Palácio Iguaçu informou no início da noite que a versão oficial dos fatos era a declaração dada pelo secretário da Fazenda.


