A liberação do câmbio completa um mês hoje, mas as variáveis que influenciam a economia continuam indefinidas: o dólar ainda não encontrou o ponto de equilíbrio, há estimativas desencontradas sobre qual será o nível de inflação acarretado pela desvalorização do real e, por fim, o mercado questiona-se em relação ao comportamento dos juros no curto prazo.
Nesse cenário de incertezas, é forte a possibilidade de algumas aplicações de renda fixa terem rendimento real negativo (abaixo da inflação) num ou noutro mês. Para períodos mais longos, porém, a rentabilidade tende a superar com certa folga a variação da inflação, que pode ultrapassar 10% este ano.
O diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain, defende a manutenção dos juros nos atuais níveis por mais dois ou três meses, já que a inflação deve ser mais elevada justamente nesse período, alcançando de 2,5% a 3,5% em fevereiro e março. Ele considera a elevação das taxas pouco eficiente no momento, já que o overnight segue muito elevado, em 39% ao ano. Nova puxada dos juros poderia alimentar dúvidas sobre a capacidade do governo de honrar sua dívida, uma vez que 70% dos títulos públicos são pós-fixados, ou seja, sofrem o impacto imediato da alta das taxas.
E uma das grandes dúvidas do mercado é quanto à definição da política de juros. O mercado ainda não sabe como vai atuar o novo presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga. Ele é conhecido como um economista ortodoxo, o que, em tese, indica que tenderia a ser favorável a aumentar ou ao menos manter os juros elevados, para evitar pressões inflacionárias. Mas vários especialistas também ortodoxos entendem que elevar as taxas, no momento, traz mais efeitos colaterais que benefícios. Por isso, não há consenso se o Brasil vai seguir à risca o receituário do FMI, e elevar ainda mais os juros, ou se eles ficarão estacionados em 39% por mais tempo, ou ainda se haverá um recuo no curto prazo.
Mas, ainda que haja dúvidas sobre a trajetória dos juros, existe a percepção de que eles continuarão elevados. Com isso, Allain recomenda os fundos DI como as melhores opções de investimento da renda fixa, por seguir a variação dos juros. Já a compra de dólar como investimento é contra-indicada, uma vez que as cotações estão muito elevadas e devem recuar nos próximos meses. Para quem pode aplicar por prazos mais dilatados, como dois anos, Allain vê boas opções nas Bolsas.

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