A instabilidade financeira que afeta o Brasil poderia estar sendo mais profunda se o governo não tivesse realizado as reformas que fez. A avaliaçao é do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que passou o dia de ontem tentando esclarecer a situação brasileira aos presidentes do bancos centrais dos países desenvolvidos. A mensagem dada por Fraga na Suíça foi clara: apesar das dificuldades, a economia brasileira ‘‘não mergulhou num abismo’’.
Fraga tentou mostrar que a situação do País não é a mesma de 1998. ‘‘O Brasil hoje tem câmbio flutuante, não possui dívida de curto prazo, fez a reforma da previdência e tem situação fiscal impecável. Sem isso, pode ter certeza que o País já estaria numa recessão profunda’’, afirmou Fraga.
A estratégia utilizada por Fraga para tranquilizar as economias desenvolvidas foi mostrar que no primeiro semestre de 2001 os investimentos diretos devem ficar acima de US$ 10 bilhões. A previsão internacional era de que em todo o ano a entrada de capital seria de US$ 15 bilhões.
Fraga ainda explicou que a intervenção de US$ 6 bilhões no mercado de câmbio feito pelo governo foi uma forma de reformar a balança de pagamentos. ‘‘Não se trata de uma mudança no regime de câmbio flutuante e também não impede que o governo faça outras intervenções’’, afirmou.
Fraga aponta que, além da crise na Argentina e da falta de energia, outro fator que contribuiu para a instabilidade no Brasil teria sido o debate sobre a sucessão presidencial que permeou o cenário político no País ‘‘Não é somente no Brasil que sucessões afetam o sistema financeiro’’, disse.
Na avaliação de Edward George, presidente do Bank of England (o banco central do Reino Unido), um dos motivos para a crise na Argentina teria sido a ‘‘turbulência política com as eleições’’.
Para Fraga, porém, com a aproximação das eleições no Brasil, as posições políticas devem ficar mais claras e a instabilidade não deverá se agravar. ‘‘Não acredito que alguém defenderá a irresponsabilidade fiscal, a falta de transparência, a ineficiência e a desestabilização. Todos defenderão o oposto: a responsabilidade, transparência, eficiência e a previsibilidade. E a sociedade que vai cobrar isso’’, afirmou.
Apesar dos esclarecimentos feitos por Fraga, Edward George, do Bank of England, alertou que a economia brasileira corre o risco de ser ainda mais comprometida se ocorrer uma deterioriação da situação argentina.
Mas, segundo George, a crise em um país não deve se espalhar aos demais como ocorreu em 1998, pelo menos não não para aquelas economias que se prepararam. O motivo é a capacidade dos mercados de distinguir as diferenças entre as economias emergentes.
Depois de dar explicações aos bancos centrais dos principais mercados financeiros, Fraga segue amanhã para os Estados Unidos, onde terá de convencer investidores de que o País ainda não ‘‘mergulhou num abismo’’. Questionado se o dólar irá se estabilizar, Fraga preferiu não opinar. ‘‘É injusto fazer essa pergunta para mim’’, completou.

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