Tunas do Paraná - A Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mudou a realidade de um grupo de produtores rurais de Tunas do Paraná, que fica a 80 quilômetros de Curitiba e tem cerca de 6,7 mil habitantes. A atividade econômica do Município é voltada principalmente para a exploração de pinus, mas os agricultores e produtores de animais tinham muita dificuldade de comercializar a produção. Acabavam utilizando os produtos para consumo próprio e tentavam vender frutas, verduras e legumes na própria comunidade. Tudo sem muito sucesso.
Com a chegada dos técnicos, professores e alunos da universidade, o cenário foi transformado. Hoje, toda a produção é vendida e ainda faltam produtos para atender a demanda. A Associação de Produtores de Tunas (Aprotunas) agora já tem quatro anos de formalização e conta com 18 associados.
O presidente da Aprotunas, Waldomiro Fortes, classifica a parceria com a UFPR como um ''casamento'' duradouro. ''O trabalho da universidade trouxe não só a melhora financeira para os produtores como de autoestima'', destacou.
''Antes do trabalho da universidade, eu saía de bicicleta vendendo produtos de casa em casa. Já cheguei a cair com caixas de caqui que levava na bicicleta'', recordou o produtor rural Miguel Jacezin, 56 anos. Miguel mora em uma casa simples de madeira com a esposa. Na cozinha, um fogão a lenha aquece toda a família. Ele planta alface, repolho, couve-flor, pepino, pimentão, brócolis, milho, feijão e caqui. ''Antes plantava mais para o gasto próprio. Depois da associação de produtores, está tudo mais organizado'', disse com orgulho. Hoje, ele tem renda mensal de cerca de R$ 400 com a produção.
Fortes explicou que os produtos da associação são destinados para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab e utilizados na merenda escolar em creches e no hospital de Tunas. Há também a Casa de Alimentação, um órgão da prefeitura que utiliza os produtos na alimentação de funcionários e no hospital. Ainda existe o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do qual a prefeitura faz parte e, com isso, os produtores encaminham os alimentos para a merenda nas escolas.
''A UFPR veio para mostrar um potencial que a gente não tinha enxergado e auxiliou a criar a associação'', valorizou Fortes. Segundo ele, a incubadora da universidade ensinou os produtores até a embalar e transportar os produtos. Agora, a renda mensal dos agricultores dentro do PAA chega a R$ 450 por mês e no PNAE a R$ 200 por mês.
Atualmente, os produtores da Aprotunas produzem cerca de 64 toneladas por ano para o PAA da Conab. ''Precisaríamos de um volume de 30% a mais de produção para atender a demanda, que cresceu muito'', disse Fortes. A próxima meta da associação em conjunto com a universidade, acrescentou o presidente da entidade, é ajudar os produtores a trabalharem com estufas, principalmente para as folhosas.
Fortes contou que a UFPR começou o trabalho com um levantamento das potencialidades da região e descobriu também que muitos agricultores atuavam com pequenas produções de frango.
Produtores ainda revelaram que com a presença da incubadora ficou mais fácil obter crédito agrícola. O custo para o agricultor que quer fazer parte da associação é de R$ 7 mensais, mais 7% sobre cada nota fiscal de venda para a manutenção da Aprotunas. Fortes disse que muitos produtores não tinham nem como emitir uma nota fiscal e este era mais um entrave para a comercialização dos produtos.

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